Se você tem mais de 30 anos, provavelmente se lembra da sua cidade forrada com santinhos de candidatos, emporcalhando as ruas por onde você passava. E quando chovia, então? Aquela sujeirada de papel se esfacelando sob seus pés, que deixava tudo ainda pior.

Os santinhos não sumiram, mas diminuíram bastante. Por quê? Porque agora temos as redes sociais. A ideia por trás da distribuição dos santinhos nas ruas é “pescar” algum eleitor que não sabe em quem vai votar e decide na hora. Também é função dos santinhos apresentar candidatos novos para quem sabe, um futuro eleitor.

Essas duas funções foram, nos últimos anos, transferidas para as redes sociais. Como eu disse, os santinhos ainda existem, porque ainda existem pessoas que não utilizam as redes. Mas a grande massa dos brasileiros as utiliza.

Segundo dados do Data Reportal, maior site de relatórios de uso de tecnologia mundo afora, em 2025 existiam 217 milhões de celulares em nosso país, correspondendo a 102% da população total de brasileiros. Ou seja, mais celular do que gente. Mais do que isso, em outubro do ano passado, 70,4% da população brasileira tinha pelo menos uma conta em redes sociais.

Posto isto, fica evidente que as redes sociais digitais afetam sobremaneira a forma como os brasileiros enxergam a vida e, em tempos de eleição, a política. E é exatamente por esta razão que a Justiça Eleitoral exigiu que as redes sociais digitais parem de “emporcalhar” a timeline das pessoas. Da mesma forma como a Justiça Eleitoral exigiu a limpeza das ruas em relação aos santinhos, está exigindo a limpeza digital dos celulares de milhões de pessoas que sofrem com a sujeira criada por algoritmos que disparam mensagens políticas.

A partir de agora, de acordo com essa determinação, somente poderão aparecer mensagens políticas de candidatos que a pessoa já segue. Com isso, espera-se que a sujeira deixada por disparos massivos de propagandas políticas se não cesse, pelo menos diminua. Com isso, também se espera que o uso de inteligência artificial de forma desonesta seja um pouco contido. Com menos possibilidade de sujar a timeline das pessoas, menos dedicação há de se ter na criação de fake news por meio das inteligências artificiais.

Porém, não sou ingênuo. Apesar de todos os esforços da Justiça Eleitoral, sei bem que os esforços para enganar as pessoas nesse período tão importante do processo democrático serão hercúleos. Até o dia 25 de outubro seremos bombardeados, via “amigo do tio do irmão do padeiro que mora ali perto” por mensagens falsas, notícias falsas e santinhos digitais. Então, seja inteligente, use com sabedoria o poder do seu voto. Se informe, descubra se o que lhe passaram é realidade ou mentira. Faça sua parte. Afinal, o voto é seu. Use-o com sabedoria.

*Rodrigo Otávio dos Santos é Pós-doutor em Tecnologia e sociedade e Mestre em Tecnologia pela UTFPR, além de professor do Programa de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado Profissionais) em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional Uninter.

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