Limites de alunos e horas de aula
A Assembléia Legislativa afinal lançou um olhar sobre os estudantes do ensino fudamental, e tomou duas decisões: limitar o número de alunos em cada sala de aula e estabelecer o mínimo de 4 horas diárias para a permanência deles na escola. Se há professores que contestam as duas medidas, por julgar que não constituem diferencial para a qualidade do ensino, o fato é que os parlamentares pelo projeto da deputada Luciana Rafagnin voltaram a atenção para o problema das salas superlotadas e o tempo de duração de um estudante no recinto da escola. Não faltam os que defendem tempo ainda menor de horas e que as aulas comecem mais tarde no período da manhã, porque os pais têm de acordar antes da hora portanto quando ainda descansam para dar atendimento aos filhos obrigados a levantar tão cedo para ir à escola. Esta é uma reivindicação consistente e que deve ser examinada pela deputada já que foi ela quem incursionou por esse campo afinal mulher e conhecedora dessa questão ou ao menos representadora do anseio das mães, nesse sentido. Porque é certo que, de manhã, muitos alunos dormem no banco escolar porque chegam ainda sonolentos. Assim, também absorvem mal os ensinamentos. Esta é também uma questão de saúde da criança e do adolescente e não apenas educacional. A superlotação nas salas de aula identifica-se com o problema dos cárceres, e esta é uma questão com a qual os parlamentares também terão de se ocupar. Com relação às escolas, a limitação de alunos por classe baterá de frente no problema de mais salas de aulas, significando mais edifícios escolares e mais verbas para o setor. De qualquer modo, mesmo tendo à frente este problema e a posição de alguns mestres de que o tamanho da classe não altera a qualidade do ensino e que a diminuição de alunos reduz o círculo da convivência, o projeto aprovado é positivo e pode ser a abertura para novas medidas do gênero, destacadamente a que trata da redução mais ainda do tempo de permanência na sala de aula. Esta, como defendem certas correntes, poderia cair para, eventualmente, 3 horas. Que é, comparativamente, pouco mais que o tempo de um filme, uma peça de teatro, uma conferência, uma cerimônia, uma competição esportiva, duração considerada suportável, porque mais que isso mesmo um agradável lazer pode entediar. Resolvidas essas questões de ordem funcional, uma nova proposta em que os pedagogos (e os deputados, se o desejarem) devem debruçar-se é a que trata do conteúdo curricular, ou seja, a real necessidade de tudo o que está sendo ensinado e, principalmente, daquilo que está deixando de ser. Um assunto que demanda prolongada avaliação e discussão e envolveria vários campos da inteligência, que não apenas a pedagogia.





