Limites, como fixá-los? (Luiz Geraldo Mazza)
Luiz Geraldo MazzaLimites, como fixá-los?
Saímos do represamento do regime militar para a abertura de todas as comportas da liberdade: invadir propriedades ou repartições virou rotina, mais do que isso um ritual, como se no caso não houvesse transgressão à lei. Perdeu-se a noção de limites em meio à anomia. No meio dessas manifestações o velho delírio das barricadas, que deu certo na Indonésia como havia dado no Brasil em 64. Afinal, o que eram as procissões das marchadeiras com rosários e crucifixos se não uma rebelião mais educada e que, de fato, deu o sentido de que a maioria estava contra as greves e os comícios reformistas de Jango?
Curiosamente o agito no Brasil era de dentro pra fora, estimulado pelo próprio governo que os sustentava com recursos públicos e remando contra a correnteza geopolítica da guerra fria. O ISEB, fábrica de ideologias à esquerda, se opunha à outra da direita, a Escola Superior de Guerra, tudo nutrido pelo orçamento nacional. No cabo-de-guerra da competição, a milicada só poderia levar a melhor. Já na Indonésia o governo estava podre, 32 anos de ditadura e corrupção, assassinatos e torturas e a modernidade - exaltada até pelo Roberto Campos sobre os tigres asiáticos - ocultava o fato de que eram regimes policiais semelhantes àqueles do socialismo real.
Asiáticos são diferentes: têm mais coragem e disciplina. Na Coréia do Sul e no Japão as batalhas são teatrais, às vezes seguindo a coreografia da dança da serpente como deu para ver nos Jogos Olímpicos de Seul. Tropas legais e rebeladas juntam suas baixas na rua e este é o seu fair play. Aqui, não. O sujeito vai pra baderna e depois quer todas as garantias, bota uma ONG de plantão para tratar de direitos humanos e chia, como fez o senador Suplicy ao levar uma mordida de cachorro chapa branca.
Busca-se um mártir dentro de nosso primitivismo político (João Pessoa, dado como vítima de crime político em 1930, ajudando a incrementar a revolução, estava apenas transando com uma senhora que não era a dele, mas do próximo) e que às vezes emplaca, tal qual se deu em 68 com a morte do estudante Edson Luís, causa eficiente das passeatas em desafio ao regime militar e da edição do Ato 5, esta na realidade provocada pela formação da Frente Ampla que unia Jango, JK e Carlos Lacerda pela abertura democrática.
O curioso dessa batalha de Brasília é que os indignados exploradores do caso esquecem que a polícia que reprimiu é do PT do Distrito Federal e do Lula. O terrível vai ser suportar a chatice do senador Suplicy a explorar a mordida do au au, como ele fez ao bancar o inspetor Clouseau no caso do José Carlos dos Santos, aquele da CPI do Orçamento que havia assassinado a mulher, e o petista dava uma de detetive em Nova York, procurando aquela que já estava enterrada. Como de resto ocorreu com o Ulysses Guimarães, que explorou a mordida que não levou dos mastins da PM e que ornavam a sua aura de herói da resistência. Que falta que faz ao Brasil o Stanislaw Ponte Preta!AXIOMA
O rotweiller pode ser o cabo eleitoral: do PT (afinal era da PM do Distrito Federal) ou de FHC?
GLOSA Se Nelson Rodrigues estivesse vivo, ele criticaria os jornalistas como idiotas da objetividade por não terem se informado do estado de saúde do cachorro que rasgou as calças do Suplicy.
BIZARRICE Se o Papa fosse submetido em suas despesas ao Tribunal de Contas, estaria glosado porque tem mais de 70 anos. Aquela Corte está querendo vetar um contrato da Prefeitura de Maringá com funcionário por ele ter mais de 70 anos.
SPRAY Quando os sem-terra ameaçam invadir uma prefeitura, os prefeitos deixam? Não? Então não podem estranhar também que uma invasão em massa em Brasília, ainda que de prefeitos, seja bloqueada.- A bronca é contra o aparato e o deputado Toti Colaço, que acompanhava a manifestação, se irritou com isso e disse que se continuar assim, dentro em pouco, em lugar da rampa haverá uma ponte levadiça da Idade Média. E com óleo fervente e chumbo derretido lá na parte superior, ao lado de catapultas.- Jaime Lerner cada vez mais parecido com Jerry Lewis: assinou um decreto declarando de utilidade pública no Paraná a Confederação Brasileira de Canoagem de Estrela, Rio Grande do Sul. Pela Costa Oeste, o que não se faz?- OAB entrou no caso da tortura de PMs em Maringá. E o caso vai dar notícia nacional. A sequência de fatos negativos vai provocar mudanças nos comandos. Lerner, no entanto, em reassumir prerrogativas que delegou indevidamente ao Legislativo.- Coronel Valdemar Kretschmer, do CPI, Comando do Policiamento do Interior, aparece como um dos cotados ao lado do coronel Flávio de Modesti. É o que se balbucia para o comando. Críticas as mais pesadas no interior da corporação se dirigem à Casa Militar.- Em Arapongas, o vereador Sérgio Onofre da Silva, aquele da escorregada racista, estava falando quando um capitão lhe teria dado voz de prisão.- Dias atrás um PM matou um piá de 13 anos em São José dos Pinhais, sob a alegação de que tinha antecedentes policiais e dominava lutas marciais.- Se a polícia do PT age do jeito que mostrou em Brasília, dá para imaginar o que farão se chegarem à presidência da República.- Presidente do PDT pretende expulsar prefeitos que ficarem com Lerner. Perde dois terços deles. E se o PSDB fizer o mesmo, perde alguns dos mais importantes.- Rubinho Ferreira, que já registrou mais de 500 telefonemas pelo (041) 225-1821 (Associação Paranaense de Assaltados e Roubados), está sugerindo que se carreie do pedágio 10% para melhorar a segurança geral.- O diretor da Polícia Civil, Arthur Braga, entrou numa fria ao prestar declarações a um repórter da CBN que não o avisara que as coisas estavam indo para o ar. Disse coisas pesadíssimas contra os conselhos comunitários de segurança que criticam a saída do delegado Adauto da Anti-Tóxicos.-
FOLCLORE Previsão do juiz aposentado Elísio Marques sobre a sequência do júri das bruxarias de Guaratuba e que não contará com a direção de Marcelise Lorite, para o que ele chama de Bruxos 2 e Bruxos 3 : o primeiro foi super-produção, o segundo será film-noir classe B e o terceiro, do Bardelli, um autêntico cine-trash.
CROMO O mercúrio escorre com azougue na água cristalina para identificar ouro e acaba alcançando nosso corpo na víscera dos peixes. O pior é que não sai na urina, neste caso ourina.
AFORÍSTICOAníbal doente, noticiário político ausente.





