Líderes financeiros discutem crise mundial
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de novembro de 2001
Agência EFE<br>De Otawwa 
Um labiríntico shopping, um hotel que parece um castelo de Walt Disney e muitos agentes de segurança rodeiam os líderes financeiros do mundo, que ontem, reuniram-se em reuniões em Ottawa. Vários agentes anti-distúrbios e efetivos da Polícia Montada patrulham o perímetro fechado que, no centro da capital canadense, acolhe este fim de semana as reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (Bird) e do Grupo dos 20 do qual fazem parte os sete países mais ricos do mundo e outros em desenvolvimento, entre eles o Brasil.
De um lado, ministros, representantes, jornalistas e policiais com cães. Do outro, os moradores da tranquila cidade de Ottawa, com pouco mais de meio milhão de habitantes, e, até agora, um pequeno número de manifestantes contrários às políticas econômicas neoliberais.
A polícia espera grandes protestos, reunindo até 5.000 pessoas, diante do local onde acontecem as reuniões. Na sexta-feira, apenas alguns ativistas expressaram sua oposição aos encontros de Ottawa. Eles quebraram as vitrines de um Mcdonald's, que consideram um símbolo da globalização, e destruíram algumas máquinas de distribuição de jornais.
Os agentes antidistúrbios, que detiveram pelo menos quatro ativistas, chegaram a lançar uma granada de efeito moral contra um grupo de manifestantes diante de um monumento aos direitos humanos. 'Violências desse tipo não serão aceitas'', afirmou a polícia, informando que o perímetro fechado poderá aumentar se for necessário.
As reuniões dos líderes econômicos estão sendo realizadas no Centro de Conferências do Governo de Ottawa, muito perto da sede do Parlamento canadense e de um canal que aflui ao rio Ottawa, também fechado pela polícia para evitar incursões não desejadas. Só é possível entrar no local, onde hoje se reúnem o FMI e o G20, após mostrar a credencial com fotografia, que policiais canadenses pedem com insistência, embora, quase sempre, com um sorriso.
As assembléias dos organismos multilaterais em 2000, em Washington e Praga, foram marcadas pelas manifestações, que se transformaram em enfrentamentos violentos entre policiais e ativistas. Em 2001, os protestos anti-globalização em Gênova (Itália) provocaram a morte de um manifestante.
Nas Américas Na próxima quarta-feira, os ministros da Economia de 21 países íbero-americanos analisarão, em Lima, a crise argentina, o problema econômico na região e o contexto internacional, disse ontem o ministro da Economia do Peru, Pedro Kuczynski. ''A Argentina está soterrada em altas dívida. Estão fazendo impetuosos esforços políticos para chegar a um acordo com os governadores das províncias, para negociar a dívida'', lembrou. Kuczynski advertiu que ''será muito, muito mau para os outros países da região, sobretudo para os da América do Sul, se a Argentina suspender os pagamentos parciais da dívida externa''.
''Temos que conversar sobre o que o resto de América Latina pode fazer para apoiar a gestão argentina'' e, nesse sentido, a entrevista ministerial contará com uma palestra do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias. ''Somos 15 ou 20 ministros dedicados apenas à questão latino-americana, por isso, acho que podemos chegar a resultados mais práticos'', afirmou o titular da Economia em entrevista coletiva.
Ressaltou além disso, que um dos principais temas da reunião em Lima é ''por que o crescimento na América Latina está emperrada, como na Argentina, Brasil e também no México, que está em recessão''. Kuczynski destacou que alguns países como o Chile não estão em recessão, mas ''a maioria está há dois ou três anos''.


