Representantes da comunidade londrinense estão assustados com a escalada da violência e exigem mais empenho do Estado no combate à criminalidade. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), David Dequech, a falta de policiamento nas ruas é o que mais influencia e estimula os bandidos a praticarem roubos. ''Eu mesmo fiz o teste e andei por todo o Calçadão. Não vi um só policial. É tão raro ver uma viatura no bairro onde moro que, quando ela passa, os vizinhos se assustam pensando que está havendo algum crime. É por isso que estão ocorrendo assaltos à luz do dia. E não porque a imprensa está divulgando'', comentou Dequech, referindo-se à afirmação do delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jurandir André, na semana passada, de que a divulgação intensiva dos crimes pela imprensa estaria incentivando a criminalidade na cidade.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)-Londrina, Lauro Zanneti, também critica a afirmação do delegado e destaca que falta uma ''liderança'' entre as autoridades estaduais para comandar uma ação concreta. ''Depois de ver reportagens sobre quadrilhas encapuzadas invadindo residências e fazendo pessoas reféns, alertei minha família para que tomasse mais cuidado mesmo estando em casa. Está faltando um líder para acabar com essa omissão dentro da segurança pública'', afirma Zanneti.
Falta de planejamento e as dificuldades sociais que a população vem enfrentando são apontadas pelo arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, como as principais causas do aumento da criminalidade. ''Sofremos com o desemprego, falta de educação e as drogas. Temos que assumir individualmente a responsabilidade e pensar o que cada um pode fazer para mudar a situação'', reflete Cavallin, destacando que a imprensa tem o poder de ''revelar a ferida e sugerir alternativas de cura''. ''Se ela consegue fazer as duas coisas, estará sendo benéfica. A missão da imprensa é mostrar a realidade da vida.''
O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Ivo de Bassi, diz reconhecer as dificuldades da polícia quanto à falta de efetivo, além de apontar as drogas e o medo como os grandes responsáveis pela violência que se alastra em Londrina. ''A grande maioria, 90% dos crimes, está relacionada ao tráfico. Temos feito reuniões com presidentes de associações de moradores pedindo que eles denunciem, mas as pessoas têm muito medo'', afirma Bassi, lembrando que a contratação imediata de policiais seria a única solução a curto prazo para o problema.
A carência de homens atuando nas ruas é comprovada em números. A Organização das Nações Unidas (ONU) sugere que as cidades devem ter pelo menos um policial para cada mil habitantes. Em Londrina, a proporção hoje é de um para 3,2 mil.

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