LÍDER IDEAL - Humildade e autoconhecimento são fundamentais
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Em um mundo de mudanças aceleradas, os empresários têm que estar constantemente em alerta para se capacitar e capacitar seus colaboradores. O que é bom hoje pode não ser no dia seguinte. Para manter uma equipe ''antenada'' e motivada, a figura do líder é fundamental.
O administrador, economista e consultor Antônio Celso Mendes Webber esteve em Londrina nesta semana à convite da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná (ABTD/PR) para ministrar o workshop ''Ninguém é líder por acaso''.
Segundo ele, o bom líder é aquele que é reconhecido primeiramente pelos seus subordinados e precisa ter humildade tanto para pedir ajuda de outras pessoas como para saber o momento de escolher um substituto. ''Numa empresa ele vai dizer 'será que esse projeto é mesmo para eu coordenar? Será que eu não tenho que ouvir um pouco meus pares já que liderança é poder pessoal, não é poder de hierarquia?' Liderança hoje, é acima de tudo, questionamentos.''
O tema da sua palestra é: ''Ninguém é líder por acaso''. Isso significa que ser líder dá muito trabalho?
Significa que a liderança nos dias de hoje é bem mais complexa do que tempos atrás, quando as coisas estavam estruturadas, as mudanças eram lentas, aconteciam de forma mais ou menos planejada dentro de um ''time''. Ninguém é líder por acaso porque essa pessoa tem que ter as competências necessárias em função dos ambientes em que esses desafios ocorrem.
Até essa questão de chefia e liderança a gente faz uma distinção bastante grande. Nós temos chefes que não são líderes. Liderança hoje extrapola um pouco essa questão da chefia formal e entra na questão do poder pessoal, poder de convencimento, poder de conduzir pessoas, de comprometê-las com objetivos comuns. Se os processos tecnológicos estão mudando tão rapidamente, imagine o comportamento das pessoas.
As pessoas nascem líderes ou se tornam líderes?
Essa é uma pergunta crucial. Uma boa e uma má notícia. A boa notícia: todas as pessoas são líderes. Nascem líderes? Não sei. A má notícia é se você é ou não um bom líder. Toda pessoa na família, com os amigos, na empresa, na política, que induz comportamentos humanos, sejam eles quais forem, de uma maneira consciente ou inconsciente - esse é um dos problemas -, está exercendo a liderança. Só que a liderança não é permanente.
Todas as pessoas, em determinado momento, estarão líderes. Muitas vezes, pelo seu exemplo, pela sua maneira de ser, pelas atitudes que você toma, pessoas que gostam de você, que te admiram e você nem conhece, estão seguindo o seu exemplo. Com a liderança hoje se assume uma responsabilidade muito grande, porque muitas vezes o líder nem sabe que está liderando.
O líder tem que ser humilde para reconhecer a hora em que precisa da ajuda do outro?
Reconhecer principalmente se é ele vai ser o melhor líder. Tivemos o exemplo maravilhoso do Nelson Mandela. Ele passou quatro anos como presidente, tinha tudo para mais quatro anos e não quis. Isso é autoconhecimento, isso é visão de si próprio. O líder tem que ser assim. Numa empresa ele vai dizer: ''será que esse projeto é mesmo para eu coordenar? Será que eu não tenho que ouvir um pouco meus pares já que liderança é poder pessoal, não é poder de hierarquia?'' Liderança hoje é, acima de tudo, questionamento.
Existem características fundamentais que o líder tem que ter independentemente de qualquer ambiente ou ele sempre vai estar se moldando conforme a necessidade?
Existem algumas características que eu nem diria que são comportamentais. Elas são quase do caráter do ser humano. Você tem que confiar no seu líder. Mas se a pessoa toma decisão rápida, se a pessoa se expressa bem, se compartilha, isso tudo depende da maturidade dos liderados. Em um grupo de trainees, como você vai compartilhar com essas pessoas? Não, com essas pessoas você vai definir, ''faz isso e se não fizer assim vai fazer de novo''. Para pessoas que têm autoconhecimento, grande relacionamento, capacidade de integração, você delega. O líder migra entre uma autoridade mais firme, tipo Felipão e uma autoridade mais soft, como Madre Tereza de Calcutá. O líder sabe que o diagnóstico da maturidade dos liderados frente a determinado problema é que vai definir seu estilo e até se ele é o melhor líder.
Mudou muito a forma de exercer a liderança do século passado para hoje?
Nessas questões de adequação ao meio ambiente, que está mudando muito rápido, sim. Alguns vetores que eu ligo mais ao caráter da pessoa, tipo confiança, honestidade, buscar o bem comum, permanecem. Não consigo imaginar um líder extremamente capacitado, impactante, comunicador e que busque benefícios só para ele, não vai conseguir exercer liderança. Vai exercer poder, poder da hierarquia, poder do capital, da tecnologia, mas não vai ser um líder. Líder é o mais forte poder que existe nas relações humanas. Poder do comprometimento. Milhões deram a vida pelo seu líder. Quantos morreram seguindo as orientações de Cristo, de Mahatma Gandhi? Isso é comprometimento, sem entrar no mérito de valor.
Como eles elegem o líder, eles também tiram o líder, no momento que este passa a atender interesses que não são da comunidade de liderados. (O ditador líbio) Muamar Kadafi simplesmente mandou bombardear as praças onde estava o povo. Líder? Não, ditador, poder absoluto. O próprio Benito Mussolini era um líder, depois que descobriram as atrocidades, derrubaram-no. Adolf Hitler era um líder fantástico, Fernando Collor era um líder extraordinário, depois que descobriram os liderados o derrubaram, exatemente a juventude que o tinha colocado lá.


