Lições para o futebol brasileiro
No final de 2010, o futebol brasileiro estava com o orgulho ferido. Além da eliminação precoce da Seleção de Dunga na Copa do Mundo da África do Sul, o Internacional, representante do País no Mundial de Clubes, protagonizou vexame histórico ao ser derrotado pelo frágil Mazembe.
Por incrível que pareça, um ano depois, a autoestima do futebol brasileiro está ainda pior. Em 2011, a Seleção de Mano Menezes foi eliminada da Copa América pelo Paraguai. Não conseguiu ganhar nenhum amistoso importante contra gigantes do futebol mundial. Foi derrotada por França e Alemanha, e empatou com a Holanda. O máximo que conseguiu foi um empate e uma vitória contra os reservas da Argentina. A Seleção havia fechado 2010 em quarto no ranking da Fifa, desempenho nada animador. Encerra 2011 em sexto.
Os clubes brasileiros também foram mal este ano. Corinthians, Internacional, Fluminense, Cruzeiro e Grêmio foram eliminados cedo da Taça Libertadores por times com orçamentos muito inferiores. A exceção foi o Santos, campeão do torneio. Mas o golpe de misericórdia veio em dezembro. Muitos se apegavam à ilusão de que Neymar, o destaque do Santos, estaria à altura do genial Messi ou de outros craques que atuam no futebol europeu. A goleada do Barcelona na final do Mundial de Clubes mostrou que o Peixe e seu principal jogador estão anos-luz atrás no quesito qualidade.
O futebol brasileiro precisa se reencontrar a partir de 2012. A mensagem da derrota santista no Japão é ter humildade para aprender com os estrangeiros. Imprensa esportiva, cartolas, técnicos e jogadores agem e falam como se ninguém estivesse em condições de nos ensinar nada. Que ninguém se iluda com o mea-culpa pós-Barcelona. Daqui a pouco, a arrogância volta.
Os clubes brasileiros lentamente se aproximam do poder aquisitivo dos clubes da Europa, mas não sabem o que fazer com tanto dinheiro. Prova disso é que gigantes como Corinthians, São Paulo e Grêmio preferem torrar milhões em medalhões de retorno duvidoso (Adriano, Luís Fabiano, Kléber Gladiador) do que investir em gestão de qualidade, categorias de base e até mesmo jovens promessas estrangeiras. A Espanha se abriu para o mundo já há algum tempo, e seu futebol se tornou o melhor do planeta depois disso. Aprender com os acertos dos outros é tão humilhante assim?





