Lições esquecidas
Há décadas, nas primeiras semanas de janeiro, o Brasil assiste à mesma tragédia causada pelas chuvas fortes da estação: a água e a lama que descem dos morros devastam bairros inteiros, destruindo casas e tirando a vida de pessoas. Há dois anos, o Rio de Janeiro vivia drama gigantesco quando centenas de pessoas morreram na região serrana em decorrência das enchentes e deslizamentos de terra provocados pelas tempestades.
O Paraná viveu situação semelhante em março de 2011, registrando três mortes no Litoral e a história de famílias que perderam tudo e de comunidades que ficaram isolados por conta de vários dias de chuva forte.
O que mudou e o que não mudou nesses últimos anos de tragédias anunciadas e confirmadas é uma questão a ser levada em conta. Na última semana, quando muita gente ainda festejava o Ano-novo, duas pessoas perdiam a vida e milhares ficavam desabrigadas no Rio de Janeiro devido às enchentes e morros que se desmanchavam cobrindo casas e ruas.
A exemplo de tragédias anteriores, governos estaduais e federais se apressam em anunciar recursos para obras de reparo e prevenção. Mas a burocracia e a falta de vontade política emperram o auxílio importante. Sexta-feira, um dia após a destruição no Rio de Janeiro, a Organização Não Governamental (ONG) Contas Abertas divulgou pesquisa mostrando que apenas 32% dos recursos federais previstos para socorro e prevenção de desastres naturais foram efetivamente utilizados. Foram gastos R$ 1,8 bilhão de uma verba de R$ 5,7 bilhões.
Percebe-se, então, que o dinheiro para prevenção de desastres existe, o problema é a incapacidade da União e dos Estados em utilizá-lo adequadamente. É preciso saber adotar com eficiência e rapidez leis que permitem contratar obras emergenciais. Além disso, prefeitos, governadores e técnicos do Ministério da Integração Nacional devem focar as prioridades. Se ações como essas tivessem sido tomadas há dois anos, não haveriam famílias hoje ainda vivendo em casas condenadas na região serrana do Rio, palco da tragédia de 2011.





