O fato político mais recente da história do Brasil está perto de completar 50 anos. No dia 31 de março de 1964, uma ação militar depôs o então presidente João Goulart. À época o golpe foi apoiado por entidades contrárias ao governo, por parte do empresariado e da população, que temiam a implantação de um regime comunista. Fatos importantes antecederam o golpe, mas um dos mais marcantes – a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" - foi utilizado para dar legitimidade ao golpe militar.
Agora setores mais conservadores da sociedade voltaram a organizar, via redes sociais, uma nova marcha para pedir a volta dos militares ao poder. Marcado para ocorrer em algumas capitais, o discurso ainda é o mesmo: o temor do comunismo. Independentemente de opiniões ideológicas – tanto favoráveis aos militares quanto ao comunismo – o golpe militar não pode ser esquecido pelos brasileiros. A partir daí foram desencadeados uma série de fatos que não podem ter qualquer apoio.
É importante que todos tenham sempre em mente que durante esse período, uma série de atos institucionais foram editados e que colocou em prática a censura, a perseguição política, a supressão de direitos constitucionais, a falta total de democracia e a repressão àqueles que eram contrários ao regime militar. Além disso, direitos políticos, civis e humanos foram totalmente desrespeitados. Milhares de pessoas foram presas e torturadas. Houve mortos e ainda há desaparecidos. E, nesse caso, não pode haver defesa. Os direitos das pessoas devem sempre ser respeitados. Além disso, todo movimento que visa interromper o processo democrático é nocivo à própria sociedade.
As várias crises que o Brasil tem enfrentado – política, econômica, ética e moral –, no entanto, não podem ser usadas como justificativa para a implantação de uma ditadura. Pelo contrário, é preciso uma maior participação popular na vida pública brasileira. A partir do momento em que os brasileiros deixarem de atrelar seus votos a favores pessoais, passarem a acompanhar a atuação de seus representantes, a exigir transparência na aplicação de recursos públicos é que o País deverá melhorar. A democracia será fortalecida e todos sairão ganhando.

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