Foi-se o tempo em que para ser mãe era necessário abdicar da carreira profissional. Hoje as mulheres tentam conciliar ao máximo as duas áreas da vida. O que nem sempre é fácil. Porém, com planejamento, o processo de saída temporária da empresa pode se tornar menos complicado e traumático e a dedicação ao bebê recém-chegado mais concreta e generosa.
Há empresas que seguem uma linha de pensamento aberto e que encaram bem a notícia de uma gravidez na equipe. Outras, encaram a novidade como uma bomba prestes a explodir. As profissionais precisam pensar em como fazer sua saída sem traumas e manter seu emprego depois do tempo de estabilidade.
''Levando-se em consideração o local em que se trabalha, é possível planejar a gravidez e comunicar a decisão à empresa com antecedência. Esta é uma das maneiras mais eficientes de evitar eventuais conflitos. Além disso, com exceção de indicação médica contrária, as grávidas podem trabalhar, normalmente, até o nono mês. Procurar agendas médicas fora do expediente é uma boa medida para não prejudicar o próprio desempenho'', orienta o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.
Um fator que desde a década de 1960 até hoje não muda é a sensação de culpa das mães que, mal saem de licença, já sofrem por ter que, passados quatro a seis meses, retornar às atividades e deixar os pequenos aos cuidados de babás ou familiares.
''Flexibilidade é muito importante na conciliação da carreira com a maternidade. Quem pensa que excelente mãe é aquela que acompanha tudo o que o filho faz, o tempo todo, engana-se, pois uma relação saudável com o filho é construída na qualidade do vínculo mãe-criança, e isso não tem a ver com um maior número de horas disponíveis para ele'', pondera.
Para ajudar as futuras mamães a agirem antes, durante e depois do período de licença-maternidade, de forma a manter o emprego em paralelo à atividade materna, o consultor de recursos humanos Reinaldo Chaguri dá algumas orientações (confira quadro ao lado).
''Uma mulher grávida que quer sair da empresa com uma boa imagem profissional deve tomar a iniciativa e preparar o terreno para minimizar problemas de ordem funcional que a saída pode provocar ao setor ou ao departamento onde trabalha'', analisa.
Seguida as orientações de Chaguri, se ainda assim a profissional for desligada, deve atribuir seu insucesso a alguns destes fatores: ''Os casos de demissões, depois de encerrado o período de estabilidade, têm sua origem, normalmente na alienação total do trabalho durante o afastamento, faltas e atrasos antes e depois com uma dose de exagero ou sensação, para o líder, de abusos e, por fim, queda na produtividade ou na eficiência, seja pela baixa disposição física ou mental, ou por deixar evidenciado demais que o filho está em primeiro lugar''.

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