Lição de infância
Lição de infância
Marcos Isfer
Dentre os muitos ensinamentos que recebi dos meus pais, um eu guardo com especial carinho: os meus direitos terminam quando começam os direitos dos meus vizinhos. Essa lição de vida tem orientado meus atos e tem sido essencial no exercício pleno da cidadania.
Quero repartir com a sociedade paranaense esse ensinamento, principalmente com os líderes e militantes do MST. Indiscutivelmente, o MST, assim como outros movimentos sociais, tem tido papel fundamental na democratização do nosso País; permanente alerta para a necessidade da reforma agrária. A sociedade, inclusive, já demonstrou estar madura para conviver com esses e outros protestos.
Entretanto, a democracia exige de nós um aprendizado permanente. Muitas vezes, a sociedade tem sido penalizada com protestos que desrespeitam o princípio democrático.
Exemplo claro disso é o acampamento do MST na Praça Nossa Senhora da Salete, em Curitiba. Quando os sem-terra chegaram em frente ao Palácio Iguaçu, toda a opinião pública foi mobilizada em torno de suas reivindicações e necessidades. Aquele protesto cumpriu sua função.
Mas o tempo passou, o diálogo foi estabelecido e os sem-terra continuaram onde estavam. O que havia sido programado para ser um protesto, acabou virando um acampamento permanente.
O protesto do Centro Cívico já perdeu o mote, obrigando as lideranças do MST a lançar mão de estratégias de marketing para manter sua sobrevida. Primeiro, foi a escola. Depois, a padaria. Agora, a estufa. E a população pergunta: qual será a próxima invenção dos sem-terra para conquistar mais espaço na mídia?
Não há mais o que inventar. Um movimento como o MST, importante para o enriquecimento da estrutura social e política do nosso País, não pode cair no descrédito popular. As lideranças do movimento haviam firmado acordo de deixar o Centro Cívico no último dia 22 de agosto, mas mantêm o acampamento até hoje.
O MST talvez não tenha recebido os mesmos ensinamentos que recebi. Os seus direitos de protestar estão ultrapassando os limites dos direitos dos cidadãos curitibanos que querem recuperar a praça como espaço de convivência coletiva e não exclusiva de alguns poucos.
- MARCOS ISFER é deputado estadual e secretário de Governo da Prefeitura de Curitiba





