Lição de economia
Cinco dias. Esse foi o prazo que o governo federal esperou para divulgar o que todo mundo já desconfiava: a meta fiscal de 2014 não seria cumprida. As contas do setor público fecharam o mês de setembro com o maior rombo já contabilizado pelo Banco Central, em toda a série histórica, desde 2001. O deficit primário (resultado antes do pagamento de juros) ficou em R$ 25,5 bilhões. O recorde negativo anterior havia sido verificado em dezembro de 2008 (R$ 21 bilhões). Esse foi o quinto mês seguido em que União, Estados e municípios ficam no vermelho, situação inédita na contabilidade pública.
O número não considera os gastos com os juros da dívida pública, que somaram R$ 43,9 bilhões no mês. Com isso, o deficit público total foi de R$ 69,4 bilhões, valor que também é inédito. É também a primeira vez em que o resultado primário acumulado no ano fica negativo, um rombo de R$ 15,3 bilhões entre janeiro e setembro.
A meta de economia prevista em lei para este ano é um superavit de R$ 116 bilhões, com desconto de até R$ 67 bilhões. Ou seja, o superavit tem de ficar no mínimo em R$ 49 bilhões. O governo chegou a fixar meta informal de quase R$ 100 bilhões, mas os números indicam que nenhum dos objetivos deve ser alcançado neste ano.
A piora nas contas públicas é um fator que deve levar a um rebaixamento da nota de crédito do País. Como não dá para salvar 2014, o governo precisa agir para melhorar o desempenho em 2015 e o corte de gastos é o exercício mais importante. Afinal, toda dona de casa e todo o pai de família sabe a lição básica de economia: para fechar as contas no fim do mês não se pode gastar mais do que se ganha.





