Liberdade vigiada para adolescentes
É corrupção que não acaba. Não dá mais para abordar assuntos políticos às segundas-feiras neste espaço sem falar de algum tipo de denúncia feita por revistas e grandes jornais. Na Folha de S.Paulo, ontem: ''Irmão de diretor de estatal negocia projeto de energia''. Detalhe: Edgar Cardeal, irmão de aliado de Dilma Rousseff na Eletrobras, cobra ''taxa de sucesso'' por êxito de transações. Na revista Veja o assunto não é menos grave: ''Fui extorquido na Casa Civil''. Deputado diz que pagou propina a assessor da Casa Civil para obter favores do Planalto.
Por causa disso, o melhor é falar de gente séria; de um Brasil sério. A entrevista com psicanalista Alton Bastos, publicada ontem nesta FOLHA, surpreendeu. É um alerta aos pais sobre educação das crianças. Ele disse na entrevista à repórter Érika Gonçalves: ''Adolescentes precisam de liberdade vigiada''. Segundo o médico, não basta conhecer bem os filhos, deve-se conhecer também os amigos dos filhos.
O psicanalista sugere que pais devem dar voto de confiança aos filhos. Não precisam impedir que visitem amigos. Mas devem checar. ''Um dia checa, um dia não checa, é a amostragem.'' E o filho deve saber que a qualquer momento pode ser checado. ''O pai avisa: estou deixando que você vá, mas tenho o direito (e obrigação) de checar. O especialista também afirma que os pais têm que ficar com os dois olhos abertos.
A visão de mundo que os pais modernos têm é uma visão consumista. Segundo o especialista, os pais acham que consumo é prazer e felicidade para os filhos. ''Os filhos serão mais felizes - na visão desses pais - se eles puderem consumir mais. O consumo vira algo competitivo.''
Como se pode observar, especialistas de diversas áreas que lidam com adolescentes não têm uma receita pronta, eficaz. Uma coisa parece bem convergente: todos eles ensinam que os pais devem ficar atentos, espertos. E aprendam a dizer ''não''.





