Uma das maiores preocupações que atormenta o século XXI, o avanço do Liberalismo desenfreado, tomou tal proporção que já não se pensa apenas na exploração humana, mas, sim, no fato de não haver tal ''exploração'' para todos os indivíduos. O significado do termo ''liberdade ou libertar'', como a maior parte dos autores que ousaram escrever sobre o assunto admitem, está no íntimo da natureza humana: ''A liberdade é essencial para a realização total da personalidade individual - está profundamente arraigado na religião e na filosofia.'' (Humphrey, 1911, p.14).
Pode-se perceber que tal manifestação de pensamento, passou por diferentes conotações ao longo da historia da humanidade. Se voltarmos nossos olhos para a Antiguidade, veremos que o significado de tal expressão transmitia a idéia de livrar-se da escravidão, assim como Moisés o fez com os egípcios. Na Idade Média, o ideal de liberdade, igualdade e fraternidade passou a ser fervorosamente desejado por intelectuais e negociantes que, conhecendo as luzes que vinham do Oriente, já não mais suportavam as interferências religiosas e de governos intervencionistas.
Nos tempos modernos o imenso vazio que passou a incorporar as doutrinas liberais é o esquecimento ou a distorção da compreensão de sua real ideologia. Com a globalização da economia, com a perda de poder dos partidos comunistas e o desmantelamento dos programas sociais e dos empreendimentos regidos pelo Estado, uma espécie de vazio ideológico, salvo raras exceções, surgiu em quase todo o planeta.
O pensamento liberal para os Estados Unidos e demais países que compõe o G7 assumiu uma conotação pejorativa, significando em sua maioria um excesso de preocupação com programas sociais ''estratégicos'' com fins eleitoreiros e de grandes custos para todo o setor público.
No terceiro mundo, de maneira geral, o significado do termo liberalismo passou a ter um sentido medíocre, ou seja, postura política defendida pelos conservadores, defensora do mercado livre, desconsiderando qualquer tipo de preocupação com as comunidades envolvidas neste contexto, muito menos na organização dos meios de produção. No caso específico do Brasil, até mesmo o nosso governo, que em tese seria de esquerda, foi seduzido a cometer ações tão liberais quanto as que criticava enquanto oposição dos chamados ''liberais''.
Apesar de serem vários, os inegáveis avanços trazidos para o bem público, o idealismo libertário continua sendo uma utopia para a maioria da humanidade, à medida em que as manifestações originadas no pensamento do homem, apesar de se apresentarem de formas diferentes, ao longo dos séculos, acabam no mesmo resultado, ou seja, a simples troca de poderes.
RENAN BOLDORI SANTOS é geógrafo, especialista em Filosofia Política e Jurídica e educador do ensino fundamental e médio em Londrina

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