Marcos, 18 anos, nasceu e foi criado em uma cidade do Noroeste do Estado. Começou a vender drogas aos 13. Já morou durante oito meses em Portugal, onde trabalhou e ganhou algum dinheiro. Quando voltou, acabou gastando a maior parte para comprar uma arma. O que sobrou usou com advogados para defendê-lo quando cometeu o homicídio - na época ainda era menor - que o levou para o Educandário.
Compositor de primeira qualidade, é apaixonado pelo Rap. Está sempre escrevendo. A maioria das letras relatam a realidade da vida nas periferias das cidades, a falta de oportunidades, o preconceito e a humilhação que atingem os pobres.
Em seus planos, incluem-se voltar para Portugal, ganhar mais dinheiro e montar seu próprio estúdio. Quer ser profissional, viver da música. ''O Rap é a minha vida, o crime já era.'', afirma, convicto.
Esse estilo musical também é a paixão de Pedro, 18 anos. Ele e seu irmão, André, um ano mais novo, estão detidos por um crime que cometeram juntos: um assassinato. Pedro conta que eles mataram um ''folgado'', um bandido, que havia matado um trabalhador pouco tempo antes. ''Dei três tiros e meu irmão, outros dois.''
No Educandário há 11 meses, André escreve sem parar. Pedro decora as letras e faz o vocal. São músicas que falam de mudança, como esta: ''Aqui são dois maninhos 100% atitude, o crime não me ilude, o crime não me ilude. Hoje estou orando, hoje estou pensando, lá na minha vila, os manos estão se levantando. Lá só tem irmão, só mano sangue bom, tirando aqueles manos que, para mim, são vacilão. Deixo eles pra lá, agora estou mudando, estou firmão.'' (W.S.)

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