Lerner engrandeceria o PSDB
Reinaldo Soares de Souza
Política não deve ser feita de irracionalismo, de ressentimento, de recalque. Ela deve ser feita cotejando a realidade. Medindo a correlação de forças. Buscando a coalizão, sempre que não se é hegemônico. Ulysses Guimarães, no embalo dos seus melhores momentos como articulador no parlamento brasileiro, afirmou que política é a administração do possível. Também afirmou que o que menos conta em política é a nossa vontade. É preciso não passar em despercebidos esses ensinamentos de Ulysses, talvez o maior articulador da história do Parlamento Brasileiro.
A vinda de Lerner para o PSDB, pelas suas qualidades morais, administrativas e políticas, somente engrandeceria o partido. Nenhuma das três maiores lideranças hoje no Paraná detém a hegemonia. Por certo vão se sobressair os que fizerem a aliança, cuja junção seja o caminho ideológico mais natural. Se se abre a possibilidade de coalizão, porque o PSDB não busca a melhor delas e a mais natural?
O PSDB, integrado por Álvaro e Lerner, compactaria o quadro social-democrático no Paraná. Os espaços eleitorais e de exercício do Poder poderiam ser preenchidos de modo, provavelmente, a comportar pretensões que hoje não existem e são tranquilamente justas. O Estado sairia fortalecido politicamente. O Governo federal, certamente, abriria as portas administrativas para o Paraná.
A partir de um entendimento dessa natureza, estaríamos sepultando o sacrifício que, historicamente, os maiores líderes do Estado submetem uns aos outros. Todas as lideranças que têm surgido, exceção a Bento Munhoz da Rocha e Ney Braga, que galgaram cargos expressivos na República, são fritadas na fogueira da vaidade destemida dos que se transformam em verdugos políticos sepultando, também, a si próprios nesse destemor de alijar o possível concorrente.
A objetividade induz ao entendimento.
O Paraná depende deste acerto. O prestígio de que gozam Álvaro Dias e o deputado Luiz Carlos Hauly em Brasília precisa ser devotado à causa paranaense. Não se pode continuar se constituindo em energias dispersas lutando para se reconsolidar no poder estadual. O prestígio deve ser força viva, operosa, em favor de uma causa maior.
De outro lado, é salutar ver Euclides Scalco voltando à cena. Mesmo que até aqui seja só nos bastidores. Ele é outro grande potencial com cacife reivindicatório do Paraná, goza de grande prestígio junto ao Presidente e junto aos homens de bem da República. Tem sido força estanque, utilizada tão só em favor da moralidade e do desenvolvimento da binacional Itaipu. É preciso que, em meio a isso, Euclides Scalco some ao seu grande caráter dose elevada de pragmatismo, de responsabilidade política.
De outro lado, Lerner deve ser mais permeável às lideranças políticas. Deve repensar a sua ação administrativa, contemplando ações que fortaleçam a unidade do Estado.
Essas forças sinergeticamente transformariam o Paraná num Estado imbatível.
Vamos sepultar as mágoas, os ressentimentos. Não vamos usar linguagem provocativa, grosseira. Ela pode inviabilizar aquele que seria, talvez, o grande pacto, a grande coalizão política de nossa história.
O Paraná merece esse gesto de grandeza, discernimento e sabedoria. Essa composição que estou preconizando neste artigo, provavelmente nos tornaria imbatíveis, talvez abrindo oportunidade para fazermos no futuro, o Presidente da República.
Fora deste contexto, vai predominar, no meu julgamento, o imponderável, o irresoluto, o artificial, em que o que conta é a vaidade pessoal, o destemor do vazio,
Tenho consciência de que esta minha análise e ponderação resvala para o óbvio. Espero que não dêem razão ao que dizia Nelson Rodrigues: ‘‘Só os gênios enxergam o óbvio’’.
- REINALDO SOARES DE SOUZA foi vereador por três legislaturas, fundador do PSDB em Arapongas e é assessor de gabinete do prefeito José Bisca
Excepcionalmente, hoje não estamos publicando o artigo de Ruy Fabiano.

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