Os livros de autoajuda estão constantemente na lista das obras mais vendidas no Brasil. O motivo de tamanho sucesso é simples: eles trazem resultados. As pessoas buscam esse tipo de leitura para melhorar a autoestima, os relacionamentos afetivos e até a vida sexual. E os benefícios não param por aí. Uma pesquisa recente realizada na Universidade de Groinigen (Holanda) mostra que a biblioterapia pode ser tão eficaz quanto a utilização de medicamentos no tratamento de ansiedade e depressão.
''O conhecimento proporcionado por um bom livro pode tornar as pessoas mais seguras, confiantes e conhecedoras de seus limites'', afirma Tonio Dorrebach Luba, psicólogo e psicoterapeuta. Segundo ele, os livros de autoajuda chamam a atenção à medida que produzem efeitos imediatos e sugerem mudanças e soluções rápidas para os problemas. Em entrevista à FOLHA, Luba discute o alto número de pacientes que usam antidepressivos e indica tratamentos alternativos para um dos maiores males dos tempos modernos.
Em quais outros casos os livros de autoajuda podem ser indicados?
Livros ditos de autoajuda, quando realmente têm alguma qualidade, provocam reflexão, são feitos com cuidado e arte, podem ajudar no desenvolvimento humano de maneira geral e não só nos transtornos mentais. O conhecimento proporcionado por um bom livro pode tornar as pessoas mais seguras, confiantes e conhecedoras de seus limites.
Por que os livros de autoajuda chamam tanto a atenção das pessoas, ficando constantemente no topo das obras mais vendidas?
Normalmente os livros de autoajuda produzem efeitos imediatos nas pessoas, pois sugerem soluções e mudanças rápidas em suas vidas. Mas se houvesse um livro de autoajuda que fosse realmente efetivo em todos os casos não surgiriam sempre novas obras.
Atualmente o número de pessoas que fazem uso de antidepressivos é alto. O que explica esse ''boom''?
Diversos fatores contribuem para isto. Um fato é que mais pessoas têm sido diagnosticadas como depressivas, apesar deste diagnóstico ser questionável e nem sempre ser feitos por psiquiatras. Por vezes se confunde um estado depressivo com um transtorno de humor que, em alguns casos, necessita também de tratamento medicamentoso. Outro fator é o crescente número de pessoas que se sente desmotivada pelo ''insucesso'' na sociedade atual e que não vê solução para isto.
Além disso, existe uma eficaz indústria farmacêutica que coloca seus medicamentos ao alcance da população. Estes medicamentos podem sugerir uma solução mais fácil para seus problemas. Mas é importante ressaltar que o uso correto da medicação pode trazer inúmeros benefícios para as pessoas com ansiedade e depressão.
Qual o risco que o paciente corre se trocar o remédio pela leitura sem indicação médica?
A pessoa nunca deve fazer qualquer alteração no uso da medicação sem orientação do médico. Ler pode ser uma prática interessante, mas em alguns casos a pessoa tem que ser medicada. A leitura de obras de autoajuda, aliada ao uso de remédios, pode trazer melhores resultados para o paciente. Mas sempre é preciso analisar caso a caso.

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