Ler e escrever, exercícios diários de dona Mariana
''A terceira idade não é exatamente a melhor idade, mas é a mais bela''. Essa frase é ressaltada pela professora aposentada Mariana Vidal Marinho, 81 anos. É como ela explica a motivação para os dois exercícios que não deixa um dia de fazer: ler e escrever.
Para ela, é um dos motivos pelos quais a vontade de viver e de produzir continua inesgotável. Em Teresópolis (RJ), onde passou a maior parte de sua vida, começou o gosto pela leitura, que a acompanha desde então. Também surgiu daí a necessidade de exercitar a escrita. Já no Diário de Teresópilis, e depois na revista Seleções, suas crônicas eram publicadas.
Aventureira, junto com o marido João conheceu a maior parte do Brasil. E até três anos atrás, antes da artrite ficar um pouco pior, viajava sempre que podia. Mas ela não reclama. Garante que os livros a levam para os lugares que ainda não conhece. Uma obra sobre o Japão, por exemplo, a deixou fascinada pelo país de onde vieram tantos dos antepassados dos nikkeis paranaenses. Situações de vida também rendem assuntos para as crônicas. Reunidas em duas encadernações, elas surgem diariamente, pela caligrafia graciosa e perfeccionista que mantém.
Leitura e escrita, e a curiosidade de quem não se cansa de aprender, são os segredos para se manter jovem. ''É como o caso do machado que meu marido tinha em casa. Usou uma vez e deixou em um canto. Quando foi usá-lo de novo, estava enferrujado'', conta Mariana. ''A mente e o espírito também enferrujam se nós não os exercitamos.'' Atualizada, é assinante fiel da Folha de Londrina há quatro anos, desde que fixou-se na cidade. Depois do almoço, lê o jornal da primeira até a última página. Atenta, corrige inclusive os erros de gramática e português que aqui e ali aparecem (mas não deviam aparecer). ''Jornal é leitura obrigatória'', afirma.





