Leitos hospitalares e a necessidade ambientes de isolamento
Nosso país apresenta insuficiência de leitos de todos os tipos em diversos estados, o que faz com que existam proporcionalmente menos leitos de UTI
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Nosso país apresenta insuficiência de leitos de todos os tipos em diversos estados, o que faz com que existam proporcionalmente menos leitos de UTI
null 
Praticamente todos os hospitais brasileiros contam com quartos de isolamento, este é um item obrigatório para a aprovação de um projeto hospitalar nos órgãos de vigilância sanitária. Em geral arquitetos da área da saúde trabalham com três tipos de isolamento, que se diferem pelo tipo de transmissão.
A polêmica sobre a necessidade de leitos de isolamento em unidades de terapia intensiva é menos importante frente a questão maior que é enfrentada pelo País na luta contra o Covid-19: a ferocidade com que se espalha este vírus que provoca uma necessidade desproporcional de internações hospitalares, sendo parte delas em UTI pela necessidade da utilização de respiradores mecânicos.
Nosso país apresenta insuficiência de leitos de todos os tipos em diversos estados, o que faz com que existam proporcionalmente menos leitos de UTI., nossa legislação sanitária obriga que as UTIs tenham pelo menos 1 isolamento para cada 10 leitos de UTI. Além destes, as unidades de emergência dos grandes hospitais de referência também devem possuir ambientes de isolamento. O problema é o número geral de leitos! Deste número, a proporção dos leitos de UTI deveria girar em torno de 10% do total. Entretanto, as cidades pequenas em geral não dispõem destes leitos o que leva a transferência destes pacientes para as cidades que são polos regionais, onde estes leitos estão concentrados.
A relação entre os diversos tipos de leitos estabelecida pela legislação sanitária brasileira é de 2,5 leitos/1.000 hab, sendo que destes, de 6% a 10% devem ser de UTI, e os isolamentos devem representar, no mínimo 10 % destes leitos. Numa cidade de 500.000 habitantes, seriam necessários 1.250 leitos no total, sendo que destes 125 deveriam ser de UTIs e 12,5 de isolamento nas UTIs. A pergunta é: quantos pacientes internados teremos numa cidade deste tamanho no pico da infecção pelo Covid-19? Isso significa que o nosso problema não são os leitos de isolamento, nosso problema é a desproporção da necessidade de leitos em geral imposta pela Covid-19. Por isso, não importa quantos leitos uma cidade como São Paulo tenha, pois ela receberá pessoas de todo seu entorno. Este é motivo da construção dos hospitais de campanha, que são fundamentais e, como vimos na mídia, alguns são de leitos comuns para paciente de baixa e média gravidade e outros serão para os doentes mais graves que dependem de respiradores mecânicos.
No cenário atual, as equipes de saúde, a disponibilidade de respiradores mecânicos e de EPIs são muito mais importante que a disponibilidade de leitos de isolamentos, pois o Covid-19, embora bastante contagioso, pode ser detido por isolamento de contato e o isolamento de contato pode ser obtido pelo uso dos equipamentos individuais de proteção: máscaras, protetores faciais, óculos, luvas e aventais, combinados com a frequente lavagem das mãos e uso de álcool gel.
Mariluz Gomez Esteves, arquiteta na área da saúde


