Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde mostrou que a Lei Seca está provocando uma mudança positiva nos hábitos dos brasileiros. O estudo apontou que desde que a legislação foi aprovada, em 2007, a frequência com que adultos dirigem depois de consumir álcool abusivamente caiu 45%. O índice passou de 2%, há sete anos, para 1,1%, em 2013.
O impacto da nova legislação foi mais forte entre os homens, onde a queda chegou a 47%. De 4%, em 2007, para 2,1%, em 2013. Já entre as mulheres, o percentual se manteve estável em 0,3%. Os dados são da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 52,9 mil pessoas maiores de 18 anos no ano passado.
O País já havia acertado em 1997, quando criou a Lei Seca. E acertou mais com as mudanças promovidas em 2012, quando o governo federal tornou mais rígida a legislação. A nova medida autorizou o uso de testemunhas, exames clínicos, imagens e vídeos como meios de provas para confirmar a embriaguez de motoristas. Quem for pego dirigindo embriagado ou que tenha usado outra substância psicoativa terá a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recolhida e o veículo retido. A multa é pesada, de R$ 1.915,40. E o infrator ainda poderá perder o direito de dirigir por 12 meses.
Trata-se de um avanço para o País, lembrando que no ano de 2012, 44.812 pessoas perderam a vida em decorrência de acidentes de trânsito. Estamos falando de uma das principais causas de mortes no Brasil, que também afeta diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, em 2013 a violência no trânsito gerou 169.869 internações, o que representou um custo de mais de R$ 229 milhões.
O resultado do estudo do Ministério da Saúde foi positivo, mas o Brasil pode melhorar esse índice. Uma medida legal que restringe a direção veicular logo após o consumo de álcool é importante, mas torna-se ineficaz se a polícia não está equipada para realizar blitze frequentes e se essas ações não vierem acompanhadas de constantes campanhas educativas.

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