A lei 6.015, de 1973, que disciplina o registro civil, não permite que oficiais de cartório registrem pessoas com nomes que podem expô-las ao ridículo ou situação humilhante. Mas o critério pode variar de cada ponto de vista, tanto de pais como dos oficiais de cartório de registros. Os nomes próprios precisam ser escolhidos com cuidado, ou pelo menos ter algum significado importante para os pais.
Essa é a opinião do médico psiquiatra e psicanalista Marcelo José de Castro. Ele acredita que prenomes escolhidos por um capricho dos pais ou dos responsáveis, mas de origem exótica, ou de difícil pronúncia ou entendimento, podem trazer consequências para seus portadores.
Mesmo nomes do ''momento'', como Ronaldo (homenagem ao craque brasileiro), Jade (a personagem de novela que virou mania) ou Sandy (a cantora) precisam ser analisados com cuidado. ''O nome traduz um domínio da pessoa, mas que ela recebe em sua 'pré-história', ao nascer, quando não tem condições de escolher'', lembra o médico. ''É bom que a palavra escolhida traga um significado para um dos pais ou para o casal, em uma determinada situação ou momento de vida''. Como não tem poder para vetar ou aprovar sua denominação, nem todo humano lida bem com o nome de registro e batismo.
No dia-a-dia e no consultório, Castro conhece casos em que o simples nome foi capaz de afetar relações pessoais e a própria postura social do indivíduo; porque tornou-se motivo de constante curiosidade e brincadeiras. ''Ter um nome incomum pode exigir das pessoas um desenvolvimento de uma grande carga de elaboração, para poder superar as consequências de ser identificado com um nome diferente'', analisa.

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