Lei prejudicando formação do jovem rural
Tem-se afirmado, e isto é do consenso geral, que o Brasil avança apesar do Governo, e que se não tivesse pelo caminho esse estorvo daria saltos de qualidade ainda maiores. Porque o Sistema é grande consumidor da riqueza nacional e mantém leis arcaicas e atravancadoras do desenvolvimento. Um exemplo de avanços que independem do Governo são os programas Jovem Agricultor Aprendiz e Empreendedor Rural, patrocinados pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná e os 180 sindicatos rurais do Estado, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, pelo Sebrae-Paraná e pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura.
Esses programas de aprendizagem já formaram 10.823 pessoas de 2003 a 2007, e agora realizou-se (em Cornélio Procópio) o 1º Encontro de Jovens Rurais do Norte do Paraná, com 1.500 participantes. O conceito dominante no círculo desses jovens e dos instrutores é que o sistema oficial de educação rural é ''arcaico e caduco'' e que ''é preciso corrigir as deficiências e esperar menos do Governo''. Isto de esperar menos do Governo já é consenso nacional, por isso que empreendedores caminham sós e vão avançando, mesmo tendo de sustentar esse mastodonte gastador, corrompido e pouco operante.
O programa Jovem Agricultor Aprendiz só não é melhor por culpa da legislação. Aí mais um vez o Sistema atrapalhando. ''Precisamos que a legislação seja reestudada, para o jovem continuar no campo'', declara o presidente da Federação da Agricultura, Ágide Meneguette. Um dos absurdos da lei é não permitir que o jovem, antes dos 16 anos, se dedique a atividades no campo para ajudar a família. O trabalho no meio rural nunca fez mal a ninguém, de qualquer idade, e é comum que as crianças desde cedo façam pequenos serviços. Porque quando chegam à juventude já estão prontas para qualquer embate.
São 82 as atividades proibidas ao menor, e entre elas há algumas despropositadas, especialmente no campo, onde os serviços no geral ocorrem em âmbito familiar. Por isso que a legislação trabalhista para o meio rural precisa ser diferente da aplicada na cidade. É possível manter as normas, quanto a serviços pesados ou incompatíveis, mas das restrições impostas a maioria não faz sentido, e a experiência o atesta.
César Nunes, um dos palestrantes do encontro de jovens ora realizado, defende a associação da sabedoria do idoso com a força do jovem. No seu entender, não existe mais lugar para o amadorismo e para os profissionais medianos. É enfático e diz que o poder público apoiará cada vez menos o produtor rural, que terá de ser eficiente e menos dependente do crédito, se quiser sobreviver à concorrência. Os jovens rurais caminham nessa direção ao participarem dos cursos profissionalizantes e de encontros como o que acaba de acontecer. Este é sem dúvida um novo Brasil rural que desponta.





