A queixa é da maioria dos comerciantes de Londrina, cuja amostragem está contida em reportagem da jornalista Fernanda Mazzini, neste Jornal: a da imposição de não abrir o comércio no último dia 24 (domingo e véspera do Natal), que diminuiu o volume de vendas. O fato é ainda atual e serve para mostrar um problema antigo envolvendo o Sindicato dos Empregados do Comércio - cujo presidente é o mesmo nos últimos 20 anos - e alguns dirigentes também antigos do sindicato patronal. Tudo porque não aceitam a abertura do comércio em dias e horários especiais.
Assim, os perdedores são os empregados que desejariam ganhar horas extras, os comerciantes e os fregueses. Se são várias as razões de ordem econômica que fazem diminuir as compras, no Brasil, a postura intransigente especialmente desse sindicato faz história em Londrina, porque tem cerceado a livre iniciativa e está na contra-mão do que hoje acontece em todas as grandes cidades brasileiras e mundiais. O argumento é a proteção de seus filiados, mas dessa forma também os prejudica. Com o recebimento do restante do 13º salário dia 20, sobrou pouco tempo para as compras natalinas, por isso a abertura do comércio daquele dia seria importante. A Associação Comercial afirma que os três dias que antecedem o Natal são os melhores em vendas, até pelo hábito do brasileiro de deixar tudo para a última hora.
Não se deve ignorar outros fatores, mas se o Brasil vive uma crise econômica - com desemprego e baixos ganhos salariais - esse problema não pode ser robustecido por práticas contencionistas. Seguidas as normas de respeito à ordem pública e à política correta de pagar os empregados por trabalho extra, a abertura do comércio precisa ser ampliada em dias e horários, se for da vontade da maioria. Quem é da atividade - lojistas e empregados - é adepto, em sua maioria, do trabalho adicional, embora existam também aqueles que não o aceitem. Feitas as contas, será preciso contemplar a maior soma dos favoráveis e os benefícios.
O comércio nos países desenvolvidos fica aberto, pelo menos, até às 20 horas, de forma a atender os outros trabalhadores que saem antes e aproveitam este tempo para comprar o que desejam. Há grandes metrópoles que têm lojas abertas a noite inteira e continuamente, em todos os dias da semana. Se nem em todas as cidades isto é possível - e no Brasil há o problema da falta de segurança - práticas retrógradas, como as de Londrina, precisam ser revistas. Um sindicato não pode ser o detentor do poder, mas é o que tem acontecido. Nova lei municipal precisa ser criada expandindo os dias e horários do comércio, ao menos como opção. Londrina já não é a cidade provinciana de antigamente.

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