A aprovação pelo Senado da medida provisória que proíbe fumar em ambientes fechados em todo o País talvez mereça uma discussão mais aprofundada. É indiscutível que o cigarro provoca sérios danos à saúde humana. O uso do tabaco faz cerca de 5 milhões de vítimas por ano e o seu uso está ligado a 50 tipos de doenças como câncer de pulmão, de boca e de faringe, além de problemas cardíacos.
No entanto, ao invés de proibir o fumo em ambientes fechados (locais popularmente chamados de fumódromos), não seria mais interessante investir em campanhas educativas? Estimativas indicam que em 1989, 35% da população era formada por fumantes, enquanto atualmente esse índice é de 15%. Fumar já foi considerado símbolo de rebeldia e de status. Atualmente, esse cenário mudou e graças às campanhas que conseguiram transformar o cigarro em um vilão contra a vida saudável.
O Paraná, juntamente com São Paulo e Rio de Janeiro, já editou uma legislação que restringe o uso do cigarro. A ''lei antifumo'' entrou em vigor em novembro de 2009 e proíbe o fumo em local de uso coletivo, total ou parcialmente fechado. Há algumas exceções, como residências e vias públicas. Já o mesmo não pode ocorrer mais em Londrina. A lei 11.362, publicada em Diário Oficial no dia 3 de novembro, proíbe o uso do tabaco em praças, parques infantis e locais ao ar livre destinados à prática esportiva e de lazer.
Discutir a saúde sempre é importante. No entanto, a onda do politicamente correto tem dominado todos os assuntos e aí é que o cuidado deve aparecer. Se há locais apropriados para fumantes, se eles lá estão por livre e espontânea vontade e não estão prejudicando a saúde das outras pessoas, qual seria o problema? Embora provoque sérios prejuízos, o que é indiscustível, o cigarro ainda não foi considerado uma droga ilícita e, portanto, não há motivos para marginalizar os usuários. Se esse comportamento começar a ganhar força, talvez seja necessária também a proibição de bebidas alcoólicas e de tantos outros produtos que provocam prejuízos à saúde.

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