Legião de sem-vagas
Desemprego em alta, salário em baixa. Notícias como estas que circulam hoje na Folha podem surpreender técnicos e autoridades, mas não os trabalhadores. Faz tempo que vaga de emprego é raridade e que a renda do brasileiro declina. Nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, a economia brasileira cresceu 2,4%, em média índice próximo ao dos anos 80, conhecidos, não por acaso, como a década perdida. Em 1995, quando FHC assumiu o comando do País, éramos a 1ª economia da América Latina e 8ª do mundo. Hoje, o Brasil está em 10º lugar no ranking global e, entre os hermanos do continente, perdeu a liderança para os mexicanos. Neste período, a renda per capita do brasileiro encolheu. Poucos reclamaram: estar no mercado formal é quase um presente, já que, nas seis principais regiões metropolitanas do País, o número de desempregados saltou de 824 mil, em 1994, para 1,250 milhão em 2001, segundo dados oficialíssimos (do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o IBGE). Números inquietantes não faltam: em julho passado a Fundação Getúlio Vargas anunciou que o Brasil atingiu a marca de 50 milhões de indigentes pessoas que atravessam o mês com renda familiar abaixo de R$ 80. A informação vale para quem se assustou com a notícia de segunda-feira da Folha de que metade da população argentina já vive em estado de pobreza: 50 milhões de indigentes representam 30% da população brasileira. É uma multidão de excluídos.
Ruth Meira





