Há muito a prática política deixou de ser um conjunto de ações visando unicamente o bem dos cidadãos. Tanto que não são poucos os exemplos de aprovações de leis que beneficiam exclusivamente os legisladores. No caso específico de Londrina, no final de 2011 - e, portanto, no apagar das luzes do ano - os vereadores aprovaram um aumento salarial superior a 100%, passando os subsídios mensais de R$ 5,7 mil para R$ 12 mil. Os valores seriam válidos para o próximo mandato (2013/16).
Além do índice absurdo - uma vez que nenhum trabalhador tem um reajuste dessa magnitude em negociações normais entre sindicatos patronais e de empregados - há ainda outra questão. Foi incluído no mesmo projeto um reajuste dos subsídios, vinculado ''aos mesmos índices e nas mesmas datas em que se der a reposição salarial dos servidores municipais do Legislativo'' e deve ser considerado o limite inflacionário e o orçamento da Câmara. O artigo sequer chegou a ser discutido durante a sessão, o que também em situações normais causaria estranheza a qualquer cidadão. Se não há consenso nem entre especialistas da área, como houve a aprovação tão célere e às escuras?
Na ocasião, a presidência da Casa justificou que ''todas as categorias têm direito à reposição de acordo com a inflação''. No entanto, é importante discutir a questão: vereadores não são servidores públicos. São pessoas eleitas e com mandato definido. Não há salários, são subsídios. Tanto que os representantes do Legislativo não recebem benefícios trabalhistas como 13º salário e férias, não têm estabilidade, um direito dos servidores públicos.
Outra questão a ser considerada, e que consta no projeto, é a vinculação ao mesmo índice a ser concedido aos servidores do Legislativo. Ora, são os próprios vereadores que discutem quando o índice deverá ser aplicado para os servidores - e, agora, indiretamente para eles.
Em casos semelhantes ocorridos em outras Câmaras, o Judiciário decidiu por cancelar a vinculação do reajuste automático. No entanto, ainda que houver legalidade, o que parece difícil, há que se discutir a moralidade. Apontadas todos esses itens seria moral ou ético por parte dos vereadores que mantivessem essa vinculação?

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