LEGADO CULTURAL MARCAS DOS EGÍPCIOS
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de março de 2003
Rodrigo Sais<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Sabe quando você olha na folhinha e começa a contar os dias até o final de semana, quando finalmente vai poder encontrar os amigos para tomar uma cerveja? Você pode até não saber, mas esse pequeno ato contém duas referências à antiga civilização egípcia. Além de serem os inventores da cerveja e do calendário, os egípcios deixaram um série de legados culturais que perduram até os dias de hoje.
No Brasil, o professor curitibano Maurício Schneider é um dos maiores estudiosos da Egiptologia, a ciência que estuda a civilização que cresceu às margens do Nilo nos três milênios anteriores ao nascimento de Cristo. Formado em história pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutorando em arqueologia egípcia pela Universidade de São Paulo (USP), Schneider, que tem 31 anos, já viajou sete vezes ao Egito e participou de expedições a tumbas e restauração de sarcófagos.
De todas as civilizações antigas, a egípcia sem dúvida é a que tem mais apelo junto aos historiadores e interessados em história antiga. De acordo com Schneider, vários fatores contribuíram para o crescimento da Egiptologia. ''Em primeiro lugar, é uma civilização eminentemente visual. Da escrita em hieróglifos até a arquitetura, como a construção das pirâmides, é uma civilização que chama a atenção. Em segundo lugar, o clima quente e seco contribuiu para a durabilidade dos objetos antigos. O Egito é um verdadeiro museu ao céu aberto'', comenta Schneider.
A organização social e religiosa dos egípcios também chama a atenção dos pesquisadores. ''Foi uma sociedade que durante 3 mil anos permaneceu praticamente imutável na sua organização. Nesse período eles desenvolveram idéias que certamente influenciaram outras civilizações. Os conceitos de vida após a morte, juízo final e pecado tiveram origem no Egito. As religiões judaico-cristãs acabaram adaptando parte desses conceitos às suas doutrinas'', explicou o professor.
Schneider planeja uma nova expedição para o Egito no início do ano que vem. O objetivo da viagem será apenas visitar lugares e contactar pessoas. ''Na minha última viagem, coletei bastante material para desenvolver as pesquisas aqui no Brasil. A idéia dessa viagem é mais manter o contato com outros estudiosos. Ao contrário do que ocorre no Brasil, os europeus têm um interesse muito maior por história e arqueologia'', afirma.
Segundo Schneider, as opções para quem quer viver da profissão de historiador no Brasil são muito restritas. ''Quem escolhe estudar história na faculdade está praticamente decretando para si a profissão de professor. De certo modo, o Brasil é um país que não é muito interessado em sua própria história. Uma razão é a nossa colonização, que é muito recente; a outra é a própria formação multicultural do povo, que dificulta a identidade de uma raiz comum'', analisa o professor.


