São Paulo – Os contribuintes brasileiros pagaram mais R$ 9,1 bilhões de Imposto de Renda ao fisco em 2001. O valor equivale quase à receita prevista com a CPMF (imposto do cheque) durante um semestre. Esse número consta do estudo ‘‘Carga Tributária no Brasil - 2001’’, preparado pela Coordenação Geral de Política Tributária da Secretaria da Receita Federal.
Segundo o estudo, no ano passado a carga tributária no país atingiu o recorde de 34,36% do Produto Interno Bruto (PIB), avançando 5,88% em termos reais sobre os 32,95% de 2000. Em valores, os brasileiros entregaram R$ 406,87 bilhões aos governos federal, estaduais e municipais no ano passado, contra R$ 358,02 bilhões em 2000. Um avanço de 13,64% – ou mais R$ 48,85 bilhões. Os R$ 9,1 bilhões do IR representaram 18,63% desse montante.
O principal fator para esse aumento de transferência de dinheiro dos contribuintes para a Receita Federal foi a manutenção da tabela de desconto do IR na fonte sem correção. A tabela ficou congelada por seis anos seguidos. Isso fez com que contribuintes, antes isentos, passassem a pagar imposto. Além desse, outro fator contribuiu para o aumento da retenção do imposto na fonte: parte dos que estavam na faixa de 15%, ao terem reposições salariais, pularam para a de 27,5%, pagando um pouco mais a cada mês. Finalmente, a manutenção da alíquota de 27,5% por mais três anos (estava prevista para vigorar apenas em 1998 e em 1999, mas foi prorrogada até o final deste ano) também ajudou a aumentar a mordida do leão.
Segundo o estudo, o maior aumento (14,69% ou R$ 6,26 bilhões) foi na receita do IR retido na fonte, que inclui tanto a arrecadação sobre o trabalho assalariado (pessoas físicas) como sobre os ganhos no mercado de capitais (pessoas físicas e jurídicas).

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