LDO: O futuro de Londrina em jogo
Com orçamento estagnado para 2027, LDO exige cautela fiscal e participação ativa da sociedade na fiscalização dos gastos públicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de abril de 2026
Com orçamento estagnado para 2027, LDO exige cautela fiscal e participação ativa da sociedade na fiscalização dos gastos públicos
Folha de Londrina 
A engrenagem que move uma cidade depende de um planejamento rigoroso. Em Londrina, esse processo ganhou um capítulo decisivo com o protocolo da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) para 2027 na Câmara Municipal. A LDO é o alicerce do orçamento. Ela define as prioridades, as metas e os limites de gastos para o ano seguinte. Sem ela, a administração caminha no escuro.
O cenário enfrentado pela gestão de Tiago Amaral para 2027, no entanto, exige atenção. A projeção de R$ 3,8 bilhões, praticamente idêntica à de 2026, é o retrato de um município que atingiu o teto de sua capacidade financeira. Em termos práticos, estamos diante de um crescimento nulo em um período onde a inflação e as demandas sociais não param de crescer.
A prefeitura já admite uma possível frustração de arrecadação de R$ 100 milhões, reflexo, segundo a atual gestão, de um histórico recente de déficits herdados e surpresas negativas. O secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, reforça a gravidade da situação ao destacar a necessidade de uma gestão austera: “As receitas não podem ultrapassar as despesas, e as despesas não podem ultrapassar a receita”, pontuou o titular da pasta, frisando que o papel da administração agora é encaixar as demandas dentro do equilíbrio das contas.
Quando o caixa não fecha, os cortes costumam atingir a ponta, os serviços que chegam ao cidadão. A LDO destaca que o subsídio ao transporte coletivo continua sendo o maior gargalo financeiro, consumindo mais de R$ 100 milhões para cobrir a diferença entre a tarifa paga pelo passageiro e o custo real das empresas.
Em tempos assim, além de uma boa gestão fiscal, é preciso lançar mão de soluções criativas e inovadoras, e não só aumentar impostos ou cortar investimentos. A redução da alíquota do IPVA pelo governo federal é um bom exemplo: estimulou o pagamento à vista e deu incentivos para o aquecimento do setor de automóveis.
O momento é de responsabilidade e união em torno de soluções inovadoras. Vereadores e sociedade civil devem debater este projeto exaustivamente antes do recesso de julho. Participe deste processo que definirá o futuro da cidade.
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