O desfecho da Operação Lava Jato deve continuar monopolizando as atenções da opinião pública brasileira. Ontem o juiz federal Sergio Moro aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal e transformou em réus nove envolvidos na investigação, entre eles o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e executivos da Engevix Engenharia. Eles responderão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro devido ao esquema de desvios de recursos da Petrobras. O juiz ainda analisará o restante da denúncia contra outros 27 envolvidos.
No entanto, o que se espera – e deve-se cobrar – é agilidade da Justiça até o julgamento final do caso. Além de decisões em três instâncias federais, todo o trâmite processual – que prevê inúmeros recursos, vistas e defesas – é um dos fatores que contribuem para a sensação de impunidade presente entre os brasileiros, principalmente quando se trata de "crimes de colarinho branco". A sociedade precisa acompanhar todo esse processo até porque documentos apreendidos na casa de um dos executivos investigados dão conta de que os envolvidos planejavam uma outra operação para anular a Lava Jato. Total falta de respeito com a Justiça e com a própria sociedade. Atitude totalmente inaceitável.
Além desse processo em curso, é interessante também que os brasileiros passem a discutir mais seriamente a cartelização na economia brasileira. O assunto é antigo e tratado de forma diversa no mundo. No Brasil, por exemplo, as decisões são centralizadas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica, órgão ligado ao Ministério da Justiça. O trâmite é lento e será preciso uma análise profunda de todo o caso ligado às empreiteiras. No entanto, não se pode aceitar posturas arrogantes a partir da premissa da impunidade. No momento em que o País acompanha o passo a passo da operação e que deve ser tornar um marco na história brasileira a punição tem que ser exemplar. Até mesmo para que não caia em descrédito.

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