Langoni confia na estabilidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Agência Estado 
A reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso é importante para a estabilidade da economia brasileira até 2004, ano em que o Rio pretende sediar a primeira Olimpíada na América do Sul, na avaliação do economista Carlos Langoni, ex-presidente do Banco Central. Convocado para falar aos 19 delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI) que estão inspecionando a candidatura carioca, ontem pela manhã, no Copacabana Palace, Langoni traçou uma perspectiva otimista sobre o futuro da economia brasileira e apostou na redução do Risco Brasil.
Os representantes do COI demonstraram preocupação com o grau de estabilidade democrática e econômica do País, segundo Langoni. O Brasil é um País confiável?, questionou o presidente da comissão, o alemão Thomas Bach. Langoni respondeu que o Brasil vai crescer moderadamente, cerca de 4% ao ano, com reformas lentas e parciais.
O Rio deve crescer um pouco acima da média nacional,acredita o economista. Em vez de 4%, deve chegar a 5%, porque está atraindo muitas indústrias voltadas para a exportação. O plano de investimento máximo na cidade até 2004 é de U$ 20 bilhões, previu. Os delegados quiseram saber sobre endividamento externo e interno e composição política do governo na Câmara, para analisar a base de sustentação do presidente. Da mesma forma, perguntaram sobre qual é a relação do governador e do prefeito com o presidente. Langoni disse que a equipe do COI ficou impressionada com a aceleração dos investimentos estrangeiros no País.
Mercosul Sobre a abertura econômica, disse que o projeto brasileiro é ampliar o Mercosul, englobando até 2004 outros países do Pacto Andino. Mostrei aos delegados que a Olimpíada no Rio vai ser a Olimpíada da América Latina integrada.
A pergunta mais difícil, na avaliação do economista, foi sobre como é possível viabilizar financeiramente o projeto da Olimpíada para um País em crescimento. Langoni criticou as agências de risco, porque, segundo ele, ainda não captaram o crescimento do Brasil.
Langoni considerou o encontro agradável e divertido, bem diferente dos que costuma ter com banqueiros. O momento mais descontraído foi quando Thomas Bach, impressionado com o fato de a prefeitura do Rio ter sobra de caixa de US$ 900 milhões, disse que queria conhecer esse banqueiro, numa referência ao prefeito.


