Extremamente preocupante a inércia da sociedade londrinense frente a um mal que pode matar crianças, jovens e adultos em nossa cidade. Quando da outra manifestação desta odiosa e maléfica doença, causada pela picada do mosquito, a cidade se mobilizou bem mais, embora a impressão errônea de muitos que tal perigo não chegaria às áreas consideradas elitizadas.
Pois bem, um conhecido profissional da área da saúde, morador de um bairro nobre, com hábitos e cuidados exemplares de higiene e alimentação e consultório localizado em região privilegiada se viu acometido de dores e sintomas que pensou ser de mais uma forte gripe. Passaram-se uns dias, e constatou-se dengue, e na pior de suas formas a hemorrágica. Ficou durante bom tempo acamado, sob intensos cuidados médicos e por pouco não sucedeu o pior.
Quando de sua volta às atividades normais, afirmou: ''Como é que as pessoas continuam agindo como se não existisse perigo algum nesta que pode se tornar uma epidemia, e que não escolhe classe social, cor, raça, credo, e conta bancária? Quando nossa cidade vai acordar para esse terrível mal?''
Aí está uma situação real, que testemunhei. Como é que Londrina pode permanecer tão apática nesta questão?
Grupos isolados estão se mobilizando de forma tímida, mas onde está a sociedade organizada de Londrina, a mesma que conseguiu erradicar focos de corrupção político-administrativa, mas que nada faz diante de uma ameaça ainda pior que paira sobre a cidade?
Onde está a mobilização? Onde está o caráter de pioneirismo deste povo? Onde está a efetiva contribuição dos clubes sociais, das autoridades municipais, das igrejas de todas as denominações? Onde está a aguerrida e intrépida mensagem nos meios de comunicação, não só alertando, mas participando desta enorme frente de batalha?
Onde estão os formadores de opinião? Onde está a vitalidade do fazer, foi parar no quintal da inércia? Onde estão as escolas que em todos níveis poderiam interagir de forma muito mais agressiva? Onde estão sorrisos francos e abertos os que poderiam conquistar mais uma trilha em meio às perobas?
Onde estão os londrinenses, onde está nossa Londrina? Dormindo? Até quando? Até o momento em que as lágrimas chegarem às portas e nada mais se puder fazer? Onde estarão os sorrisos caso essa absurda inércia se mantenha? Embalsamados, mumificados na petulância da bela e importante cidade (e o é sem dúvida), mas que não está valorizando seus filhos neste momento?
Acorda Londrina, ou este sono vai lhe custar o esvaziamento dos sorrisos que já houveram tão belos, mas que a tua comodidade principesca poderá soterrar por debaixo de roxo solo. Não nos proporcionemos, nem o despropósito de levianos sorrisos ou das sonoras gargalhadas, até que essa praga chamada dengue não tenha sido combatida com todas as nossas forças e armas e mais que isso erradicada, para aí sim, fazer jus ao que tão altaneiramente denominamos Sociedade Civil Organizada.
LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina

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