Tem razão de sobra o governador Roberto Requião para revoltar-se contra o pedagiamento da BR-376, que liga Curitiba a municípios de Santa Catarina. A rodovia foi duplicada com recursos do Governo do Paraná e o Estado foi atropelado pela decisão recente do Ministério dos Transportes de colocar esse trecho entre os três novos lotes pedagiados. Teme-se porém que seja tarde, pelo vínculo já assumido com a empresa vencedora da concorrência. Requião vai ao Ministério e à Agência Nacional de Transportes Terrestres reclamar ou a suspensão do pedágio ou a devolução do investimento feito. ''Eu não paguei a duplicação para agora ter a rodovia pedagiada'', enfatiza.
Estas são razões porque a arbitrariedade do pedágio causa tanta indignação, e a ira do governador é por extensão a mesma de todos os paranaenses, que afinal construíram a obra com recursos públicos (leia-se do povo) e agora terão de pagar para trafegar por ela. Seria como o cidadão construir sua casa, com os próprios meios, e ter de pagar aluguel para habitá-la. Assim ocorreu com as demais rodovias tangidas pelo pedágio, só que nesses casos com o consentimento do então governador Jaime Lerner. Agora foi o Governo federal que fez essa imposição, mesmo que com tarifa baixa.
A questão do pedágio no Paraná chegou a ponto de exaustão, agora inclusive por esse fato levantado por Requião - o de a duplicação mal ser concluída e já ser tangida pelo pedágio. Nas últimas semanas foi a revelação - embora o fato não fosse inteiramente desconhecido - de que as atuais concessionárias vieram cobrando, durante os 9 anos da instalação do pedágio, até 10 vezes mais que o normal, e isso ficou provado pelo valor baixo fixado nas sete novas concorrências abertas no Brasil, seis das quais vencidas pelo grupo espanhol OHL. Se o governador conseguir alguma reversão - quem sabe a compensação pelo investimento feito na obra - será uma vitória. Algo que já se sabe pouco provável.
Outro detalhe - embora isso faça parte das relações de negócios transnacionais - é que a empresa espanhola vencedora de seis dos sete lotes fará remessa de lucros para fora do Brasil. Para o governador Requião, exacerbado nacionalista, isto o fere ainda mais fundamente. E não só a ele mas a toda a população. Uma ironia, mas - caso da BR-376 - além de o povo haver pago a parte duplicada, terá de pagar para trafegar por ela e ainda sabendo que parte desse dinheiro, durante mais de duas décadas, sairá do País para melhorar a vida dos espanhóis.

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