O que leva milhares de pessoas a "fazer justiça" com as próprias mãos? Ausência ou insuficiência do Estado, revolta ou dor pelas vítimas de um bandido? As respostas são inúmeras e imprecisas e o fato é que casos como esses têm, cada vez mais, ganhado repercussão nacional. Nesta edição, a FOLHA relembra e discute fatos como esses que, depois de divulgados à exaustão, chocam a opinião pública.
Na explicação sociológica, linchamentos e justiçamentos são uma forma de punição coletiva contra alguém que desenvolveu uma forma de comportamento antissocial, o que varia de momento para momento e de grupo para grupo. Em geral, ocorrem principalmente contra pessoas que cometeram estupros ou homicídios. No entanto, vêm crescendo também punições contra acusados de furtos e roubos.
Em parte, esse tipo de ação pode ser explicado pelo pensamento comum de que "bandidos também têm que sofrer" e que a punição concedida pela Justiça é branda. De fato o Código Penal brasileiro precisa de alterações, mas definitivamente a sociedade não pode concordar com atos de linchamentos ou justiçamentos. Nestes casos, também é preciso punição.
É importante que ocorra uma mobilização para pressionar por mudanças, que precisam ser mais ágeis. Órgãos representativos da sociedade devem participar das discussões, mas elas têm que ir de encontro aos anseios e necessidades da sociedade. O Estado não pode contar com um conjunto de leis arcaicas e que não mais reflete o comportamento da sociedade atual. É preciso evoluir e fazer com que os responsáveis por crimes sejam punidos e que a pena concedida seja justa e adequada ao tipo de delito. Outro ponto importante é discutir o sistema carcerário. Colocar dezenas de pessoas em um pequeno espaço em condições insalubres e sem qualquer dignidade também não parece correto.
Apesar de "ingênuo", como afirma Daniel Laufer, advogado e professor universitário, a única saída para que casos como esses sejam reduzidos são investimentos em educação. Aliás, é a solução para a maioria dos problemas brasileiros.

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