A cobertura que Apucarana pede é a liberação dos bonés nas campanhas políticas, pois a cidade é grande fabricante do produto, com metade da população dependendo dessa atividade. ''Boné na sua cabeça, pão na nossa mesa'' é o apelo da mobilização que ora se realiza nessa importante cidade-pólo do centro-norte, depois que o Tribunal Superior Eleitoral proibiu a distribuição, pelos candidatos, de bonés e outros brindes com propaganda. Certamente que não são esses adornos ademais protetores de raios solares que irão tornar milionária uma campanha eleitoral, porém mantida a proibição tornará pobres muitos trabalhadores e suas famílias, porque poderão perder empregos. A ''safra'' eleitoral é importante para as indústrias, e essa restrição, aprovada no mês passado, pegou de surpresa os industriais e o operariado. A suprema corte deve ser cooperadora da estabilidade econômica e não geradora de mais desemprego, e no presente caso o boné não irá macular a sanidade do processo eleitoral. E como todos os disputantes poderão utilizar esse instrumento de campanha, isto se tornará democrático. Não é no boné e outros meios de baixos teores como estes que que residem os males; não são coisas pequenas como estas que revoltam a opinião pública e sim a falta de caráter que infesta a maioria dos postulantes a cargos eletivos e o ambiente político no geral. Que ao menos as campanhas sirvam para dinamizar a economia, naturalmente por via de promoções lícitas, e a do boné não faz mal nenhum. Muito pior é ter de engolir a presença indigesta dos candidatos penetrando nos lares com suas falas e artificialismos enganosos, por via da televisão e do rádio. Óbvio que é preciso conter os abusos econômicos das campanhas, mas não com coisas irrelevantes como um boné, que por si só não conquista um eleitor, mas poderá feneficiar o grande centro nacional produtor de bonés, que é Apucarana. A cidade tem 600 indústrias e facções e 10 mil empregados nessa área, que multiplicados pelos dependentes se quadruplicam. Ademais, parece haver uma inconstitucionalidade da lei proibidora, porque argumenta-se que alterações de normas eleitorais só podem ocorrer um ano antes do pleito. A ser mantida a decisão, teme-se pela sorte de 2 mil trabalhadores, porque o faturamento estimado com a inclusão do evento das campanhas pode cair até 40%, e com ele cai também a arrecadação tributária. O boné é a cobertura que protege substancial parte da economia apucaranense. Tamanha foi a expansão desse setor, na cidade aliada à melhoria cada vez maior do produto que o Brasil inteiro tornou-se freguês. A situação precisa ser revista pelos órgãos supremos da Justiça, primeiro pela inocência do boné como corruptor eleitoral, e segundo porque a probição gera desemprego, num momento em que as próprias autoridades no poder tanto apregoam, em campanha, abrir oportunidades de trabalho. Essas promessas não cumpridas especialmente do atual presidente da República é que constituem uma das grandes imoralidades. Ainda é tempo de o Supremo Tribunal Federal ao qual agora foi feita apelação corrigir a decisão do TSE para o bem de milhares de assalariados.

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