Juros sobem entre março e abril
A ''onda aumentista'' de preços, apontada em prognóstico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), no início de janeiro, parece retomar sua tendência, pelo menos para alguns itens. Ontem, por exemplo, foi dado como certo um reajuste (na verdade, aumento real!) no preço do leite longa vida, entre 10% e 15%, no atacado.
O aumento no consumo já transparece nas projeções para fevereiro e março. Dois fatores estão concorrendo para elevar as taxas de juros. Aumento na demanda de crédito em dezembro e janeiro e a volta da normalidade na produção industrial. Indústrias estão em bom ritmo de produção.
O Banco Central nunca assume que está aumentando os juros para inibir o consumo; prefere outro motivo. E este motivo, neste momento, é real. As indústrias já ganharam o fôlego de que precisavam para atravessar a crise mundial do ano passado.
Um dos indicadores dessa boa performance é o nível de utilização da capacidade instalada na indústria de transformação, que já está acima do patamar de 80% (chegou a 81,7%). O índice é bom aferidor de desempenho. Outros parâmetros são os gastos com energia e contratação de pessoal. Mas, estes, com sinais ainda tímidos.
Em favor das altas taxas existe a torcida dos bancos. Não faltam dados - segundo economistas do Banco do Brasil - para reforçar o cenário de retorno nas altas na taxa básica de juros a partir da próxima reunião, antes abril, do Comitê de Política Monetária (Copom). No entanto, as instituições divergem quanto ao ritmo dessa escalada dos juros. Os dados disponíveis não são suficientes para uma conclusão sobre qual o ritmo desta retomada.
Seja como for, o aumento nas taxas de juros neste trimestre está sendo dado como certo. Quanto ao seu impacto sobre as taxas de crédito pessoal, crédito direto ao consumidor e outras modalidades, vai depender de outro fator: o grau de aquecimento do comércio agora no varejo. Assim, se a demanda permanecer aquecida, por conta da Páscoa, por exemplo, a Selic não perdoa.
Os juros ficam mais caros. Em compensação favorece as aplicações. Nesta altura o poupador vai escolher títulos de curtíssimo prazo. Por quê? Em ano eleitoral taxas oscilam muito.





