A semana começa com a expectativa do mercado diante do aumento dos juros básicos, a taxa Selic. Não haverá surpresa: no final da semana passada, o Banco Central (BC) já acenava com ajuste de 0,75%. O BC antecipou a decisão para evitar especulações sobre um salto maior. Mas isto seria desnecessário por duas razões.

Em primeiro lugar, porque não é segredo que a Selic terá novo aumento no início de setembro. São dois reajustes de 0,75% em poucos dias. Em segundo porque houve redução da atividade econômica e retração na demanda por conta do fim das promoções. E o fim das promoções foi motivado pela retirada dos incentivos fiscais, leia-se redução do IPI. Como as indústrias - principalmente as de eletrodomésticos e veículos - estavam repassando as vatagens para o consumidor, o impacto foi imediato sobre as vendas foi imediato.

Portanto, para quem se preocupa com a recessão - que a alta dos juros provoca - é bom ficar atento. A taxa Selic, não vai parar de subir. No começo de setembro deve aumentar mais 0,75%. Isto não é bom para quem depende da sustentação das demandas. Para Fábio Romão, um novo aumento da Selic ''não haveria a menor necessidade devido à clara redução da velocidade da atividade''.

Economistas entendem que a alta dos juros deve cessar já, pois a inflação recuou nos últimos meses e o IPCA não se manifesta como um perigo forte no curto prazo. Portanto, adicionais elevações da Selic podem prejudicar os investimentos, que já são baixos. Para quem gosta de basear sua análise nas estatísticas, é bom mirar para os dados do próprio governo, que aponta recuo em vários setores desde meados de junho.

Para o comerciante e o consumidor comums, estatísticas macroeconômicas são o que menos importa. O comércio precisa, neste momento, que a atividade produtiva flua, livre, e que o medo da inflação não torne a o quadro mais difícil. O consumidor não precisa de tanto cuidado e tutela, nem gosta ter seus desejos inibidos por juros altos. Banqueiro é que gosta.

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