A cada dia que passa o mercado observa a especulação insaciável do sistema bancário sobre o setor produtivo dependente do crédito. O governo está fazendo o seu papel com atitudes coerentes, e o mercado vem respeitando a metodologia da equipe do governo a tal ponto que o dólar vem despencando, o que beneficia importadores e penaliza exportadores. Porém, o maior mercado do produto brasileiro ainda é o interno.
O país tem um PIB superior a 1,3 trilhão, uma dívida pública entre R$ 600 e R$ 700 bilhões, um superávit primário acima de 2,5 bilhões de dólares, com uma luta desenfreada objetivando segurar preços e conter o custo da inflação. Todos sabemos que a maneira de conter a inflação é a alta dos custos financeiros para inviabilizar a retenção de produtos, o que eleva a taxa de juros e inviabiliza exportações, já que o dólar tende abaixar como está ocorrendo.
Todavia, os banqueiros estão cobrando juros estratosféricos entre 50% e 300% ao ano em contratos de pessoas físicas e jurídicas, tais como em contas garantidas, hot money, cheques especiais, cartões de crédito. Certamente, economia alguma suporta tais custos.
Os depósitos em conta corrente à vista apresentam taxa zero de remuneração, com o compulsório variando de 45% a 55%. Os depósitos a prazo hoje rentabilizam de 18% a 25% ao ano, com um compulsório de 20%.
Qual seria a explicação para cobrar juros nos patamares expostos? O banqueiro cita que estes custos são altos porque estão sendo contaminados pela inadimplência (operações sem liquidez são suportadas com aumento dos juros). Porém, se os juros subirem aumentará a inadimplência, ou seja, ''é o cachorro correndo atrás do rabo''. No entanto, grandes bancos brasileiros em apenas um trimestre beiraram a casa de 1 bilhão de reais de lucro, sendo a Caixa Econômica destaque com quantia superior a 300 milhões de reais.
O que falar então das tarifas bancárias que liquidam 200% da mão-de-obra do pessoal do setor? Não podemos esquecer que a taxa de 26,5% da Selic é taxa de custo, sem qualquer relação com o custo e ''spread'' bancário. Tem razão o vice-presidente José Alencar quando fala na baixa dos juros ''bancários'', contudo, o controle inflacionário deve ser mantido, pelo menos por hora, com a Selic entre 18% e 26% ao ano.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contador em Londrina

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