Ex­tra! ex­tra! Ex­cep­cio­nal de bom. Va­mos co­me­mo­rar! O ju­ro co­bra­do pe­los ban­cos das pes­soas fí­si­cas ­caiu pa­ra o me­nor ní­vel des­de ju­lho de 1994, quan­do foi cria­do o ­real. O Ban­co Cen­tral es­tá fe­liz e o go­ver­no ­mais fe­liz ain­da. Con­se­gui­mos de­be­lar a in­fla­ção e, ao mes­mo tem­po, man­ter os ju­ros bai­xos. Na mé­dia, em­prés­ti­mos to­ma­dos pe­las fa­mí­lias pa­ga­ram ta­xa de 40,4% ao ano.
  Bai­xo? ­Mais de 40% ao ano e os gran­des jor­nais con­si­de­ram bai­xos. De fa­to, o ju­ro ­caiu nas prin­ci­pais li­nhas às pes­soas fí­si­cas. No cré­di­to pes­soal, por exem­plo, a ta­xa re­cuou 1 pon­to por­cen­tual em um mês, pa­ra 42%. No cré­di­to pa­ra a com­pra de veí­cu­los, a ta­xa ce­deu pa­ra 23,6% ao ano. Em to­dos es­ses ca­sos, o ju­ro re­cuou por­que hou­ve re­du­ção da mar­gem co­bra­da pe­la ins­ti­tui­ção fi­nan­cei­ra, o cha­ma­do ­spread ban­cá­rio.
  Não se ne­ga o re­cuo das ta­xas. Mas os ju­ros no Bra­sil ain­da são ini­bi­do­res e só vai pa­ra o cre­diá­rio ­quem não tem ou­tra al­ter­na­ti­va de com­pra a não ser o fi­nan­cia­men­to. Con­vém ter cau­te­la.
  Ago­ra se é pa­ra co­me­mo­rar mes­mo, que tal ‘‘­comemorar’’ os ju­ros do che­que ou car­tão? Na ver­da­de, o ju­ro do che­que es­pe­cial - a se­gun­da li­nha ­mais ca­ra dis­po­ní­vel - su­biu qua­se 5 pon­tos por­cen­tuais, pa­ra 165,1% ao ano em ju­nho. Com a mi­gra­ção de al­guns clien­tes pa­ra ou­tras li­nhas, o per­fil do clien­te que con­ti­nuou nes­sa li­nha pio­rou e, por is­so, ban­cos pas­sa­ram a co­brar ­mais ju­ro por­que o ris­co de ina­dim­plên­cia cres­ceu.
  Não tem na­da ba­ra­to em ne­nhu­ma mo­da­li­da­de. Não é à toa que os em­prés­ti­mos pa­ra pes­soas fí­si­cas dão si­nais de exaus­tão, co­mo re­co­nhe­ce che­fe do De­par­ta­men­to Eco­nô­mi­co do BC, Al­ta­mir Lo­pes, aos re­pór­te­res Fer­nan­do Na­ka­ga­wa e Fa­bio Gra­ner. A de­sa­ce­le­ra­ção dos em­prés­ti­mos pa­ra as fa­mí­lias é vis­ta des­de ­abril, quan­do o mer­ca­do já se pre­pa­ra­va pa­ra o iní­cio do au­men­to da ta­xa Se­lic. Nes­sas si­tua­ções, os pró­prios ban­cos pas­sam a ofer­tar me­nos cré­di­to. Es­sa in­fle­xão do mer­ca­do era uma ques­tão de tem­po, se­gun­do ana­lis­tas do mer­ca­do fi­nan­cei­ro.

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