Juros mais baixos
Um novo corte na taxa básica de juros, como sinalizou o Comitê de Política Monetária (Copom) em seu relatório mensal divulgado nessa semana, virá em boa hora. No patamar de 12% ao mês, a taxa é uma das mais altas do mundo. No entanto, projeções já sinalizam para a queda de um ponto percentual na próxima reunião do Copom, em outubro. Para o governo, há espaço para essa redução, uma vez que a economia estava ''bastante apertada'', depois de uma alta de 1,75 ponto percentual no primeiro semestre.
Apesar dos ajustes, o atual índice é bastante prejudicial à economia interna. O percentual pode inibir o consumo e a contratação de financiamentos para investimentos da classe produtiva. A autoridade monetária ainda revisou o índice da inflação para 6,4%, antes estimado em 5,8%. A aposta é que os efeitos da crise econômica global serão suficientes para conter a inflação internamente no próximo ano. As análises estimam para uma queda dos preços em todo o mundo, puxados pela desaceleração da economia. Com menor demanda, naturalmente haverá queda.
Com isso, a taxa de crescimento da País também foi revista. A previsão, antes de 4% para este ano, foi rebaixada para 3,5%. Neste quesito está o lado negativo. Embora o governo argumente que a economia ''estava crescendo acima do seu potencial'', o desenvolvimento sempre é saudável porque gera impostos, empregos e renda. O argumento ''acima do potencial'' talvez se refira à infraestrutura deficitária de rodovias, portos e aeroportos e ao alto nível de impostos e encargos. A falta de mão de obra qualificada também já se mostra como um outro entrave ao crescimento da economia.
Segundo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o Brasil depende da economia interna, mas pode reverter um cenário negativo devido à forte demanda do mercado doméstico. No entanto, embora favorecidas pela apreciação do dólar, se as exportações caírem, o País será afetado. Cotações mais baixas e dificuldades de venda de produtos industrializados já são realidade e, esse quadro, pode ser agravado. A autoridade monetária deve adotar medidas austeras para que a economia interna não seja afetada.





