Juros mais baixos - Editorial
Juros mais baixos
A informação segundo a qual o governo federal deve anunciar hoje um conjunto de medidas para reduzir os juros bancários e os aproximar das taxas de juros básicos da economia, se insere no quadro de preocupações que vem ocupando há algum tempo as autoridades do setor. Com efeito, como se recorda, o presidente do Banco Central divulgou recentemente estudos sobre a questão, assinalando à época que a diferença entre os juros oficiais e os que eram praticados pelo setor financeiro, de modo geral, era muito alta. Na oportunidade, houve certas dúvidas sobre se esta preocupação era real ou se representava apenas mais um dos muitos artifícios que os responsáveis pelo setor da economia usam para desviar atenções. Em realidade, toda esta situação tem provocado muitas especulações. Os juros praticados no Brasil são muito elevados. Ultimamente, porém, a taxa oficial tem baixado e embora não se tenha ainda o que se poderia chamar de índices civilizados, é certo que a redução feita tem sido substancial. Ocorre que a diminuição não tem sido repassada para o consumidor em geral. A confirmação da adoção de medidas mais práticas por parte do governo para conseguir que a taxa de juros caia, tanto para o tomador de empréstimos bancários quanto para quem faz compras a prazo, representaria, sem dúvida, um passo bastante positivo a confirmar a intenção manifestada há algum tempo.
Por outro lado, é válido perceber que este é um dos caminhos positivos dentro de uma eventual política de estímulo à produção. De fato, juros menores tanto para o empresário que pretende investir como para o consumidor que quer adquirir um bem a prazo, representam fator capaz de estimular a atividade econômica. E isto, por si, representa um elemento vital para que se tenha o reaquecimento da economia, com todas as suas boas consequências, entre as quais a criação de empregos, uma das mais sérias necessidades do País neste momento.
Existem ainda alguns obstáculos. Um deles é o da inadimplência, que segundo os responsáveis pelo setor de crédito torna a aplicação de juros elevados quase que uma arma de defesa para o setor. Quer dizer, o consumidor honesto, aquele que paga direitinho suas prestações, assim como o empresário consciente que igualmente honra seus compromissos, acabam pagando pelos caloteiros. É tão injusto como o que acontece em relação à questão tributária: os bons contribuintes acabam pagando mais porque existe uma elevada parcela de sonegadores. Ademais, no que tange à inadimplência, é possível também considerar que ela decorre, entre tantas outras coisas, da própria situação precária da economia. Muitos consumidores (e empresários) deixam de pagar seus empréstimos porque se tornaram vítimas da crise econômica que atinge o País.
Sob esta ótica, uma política que estimule a atividade econômica vai, por si, resolver parte dos problemas da inadimplência. Sem dúvida, sempre restarão os que tentarão fugir aos compromissos. Para mudar esta situação, reclamam-se leis mais objetivas para defesa dos credores, como as existentes em outros países. Não chega a causar surpresa perceber que também neste particular se perceba a necessidade de mudanças na legislação.
O tipo de processo para mudanças legais é demorado. E o ideal é que antes disto venham as alterações que o Executivo está antecipando, inclusive porque este é o momento adequado para a adoção de medidas capazes de reativar a atividade econômica. A indústria já está em plena ação, com vistas ao final do ano. Uma boa injeção de recursos, a juros mais baixos, poderá funcionar muito bem para modificar o quadro atual de desalento de grande parte dos brasileiros.





