Juros e poder de compra
Se a aparente estabilidade da economia vivenciada pelo País proporcionou a queda da taxa básica de juros, agora com o cenário de crise econômica a situação se inverteu. A Selic segue em trajetória de alta - em julho foi a 14,25% ao ano. Esse indicador é importante porque serve de referência para o custo do dinheiro internamente. Para pessoas físicas, impacta diretamente nos juros do cartão de crédito, do cheque especial e do crédito rotativo.
O aumento da taxa é uma das medidas adotadas pelo governo federal para controlar a inflação. Não tem dado resultado, uma vez que o IPCA (medido pelo IBGE) acumula alta de 6,83% nesses sete primeiros meses do ano, a maior taxa para o período desde 2003. No entanto, é importante que os brasileiros saibam que juros altos corroem o poder de compra das famílias, principalmente as de renda mais baixa.
Estimativas da Fecomercio-SP apontam que a inflação deverá reduzir ao longo deste ano o poder de compra das famílias em R$ 120 bilhões. Indústria e comércio já sentem esses efeitos e acumulam perdas. A entidade estima que a compra familiar no ano passado foi de cerca de R$ 2,7 trilhões (valores de 31 de dezembro). Como a meta de inflação é de 4,5%, a perda gradativa do poder de compra ao longo do ano chegou aos R$ 63 bilhões.
O pior problema é que as perdas atingem principalmente os consumidores com renda mais baixa porque essas pessoas geralmente não têm poupança e precisam de mais crédito. Boa parte desse grupo já está endividada, teve seu poder de compra reduzido e pode precisar tomar mais crédito a juros mais altos ainda.
A população não pode ser a única a pagar a conta de anos de gastos equivocados. Uma das poucas saídas para a economia é a retomada de reformas e investimentos. O País precisa urgentemente encontrar o caminho do desenvolvimento sustentável.





