Juros e consumidores
Os especialistas na matéria sabem que a taxa de juros está devidamente atrelada à inflação, ao câmbio e também à credibilidade do governo, isto sem nos esquecermos da necessidade veemente do caixa diário. A cada mês, as reuniões realizadas pelo Copom baixam ou sobem os custos de acordo com os tópicos já mencionados. No entanto, o mercado financeiro toma como base estas taxas de juros para tentar ludibriar os consumidores na tomada de empréstimos.
Senão, vejamos: cheques especiais a um custo acima de 160% ao ano; créditos pessoais entre 60% e 120% ao ano; descontos de duplicatas que variam de 27% a 60% ao ano; contas garantidas com custos proibitivos batendo entre 50% e 100% ao ano. Tudo isso em uma economia cuja rentabilidade é globalizada e os custos são penalizantes para a atividade produtiva.
A TJLP taxa de juros de longo prazo está abaixo de dois dígitos e funciona como um balizador importante de custos financeiros nas operações junto ao BNDES. No entanto, os bancos pagam rentabilidades entre 13% e 18% ao ano, além de não terem compulsórios sobre estes depósitos a prazo e muito menos limites para captação e empréstimos, sem nos esquecermos que no depósito à vista o compulsório foi reduzido para 45%.
Daí o questionamento: por que a baixa da Selic, que é uma taxa referencial, não é repassada para o consumidor? Em primeiro lugar porque não há interesse das instituições financeiras em baixarem estes custos devido à lei da oferta e da procura, além do que esta procura está sendo latente na dependência completa em que o setor de produção se encontra em relação ao crédito. Em segundo lugar porque a Selic, num empréstimo direto e também na captação, pouco representa no contexto final dos custos totais das operações bancárias.
Poderia então o leitor perguntar: o que devo fazer? O que todos devem fazer a cada dia é tentar se libertar da dependência financeira para que o mercado regule a oferta e a procura porque, se depender do banqueiro, continuaremos a pagar custos altíssimos e, a cada publicação de balanço, estaremos observando os polpudos lucros do sistema financeiro, sem contar que os produtos indiretos do banco a título de seguro, previdência, poupança, capitalização, continuarão crescendo.
Em recente evento, um tomador de recursos bancários mencionou que o pior dia de sua vida era o domingo à noite, pois o sonho da tranquilidade que começara no fechamento da agência bancária às 16 horas da sexta-feira, estava prestes a dar lugar ao pesadelo que se inicia com a abertura da agência às 9 horas da segunda-feira. É assim que se encontra todo o mercado: O banqueiro dorme o sono que o devedor queria um dia dormir.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina





