Em tempo de iminente aumento das taxas de juros, o mercado financeiro fica sensível aos movimentos políticos, principalmente quando se trata do Banco Central (BC). Esta semana não foi diferente, diante da transição do governo, do risco do descontrole da inflação e do desnível cambial, que pede ajuste sob pena de enfraquecer as exportação e reduzir a entrada de divisas.
  Neste cenário, o mercado financeiro aprovou a indicação do economista Alexandre Tombini para a presidência do Banco Central (BC). Não só por meio de declarações entusiasmadas, comuns em momentos como este, mas pelo comportamento das taxas de juros no mercado futuro da BM&FBovespa. No curto prazo, essas taxas subiram. No longo, caíram, conforme os repórteres Leandro Modé e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado.
  O que isto significa? Isto quer dizer que os investidores, ao menos por enquanto, acreditam que o BC comandado por Tombini fará o que a maioria deles acha que tem de ser feito: elevar o juro básico (Selic) no início de 2011 para conter a escalada da inflação (que se encontra acima do centro da meta de 4,5% em 12 meses), o que abre espaço para quedas nos anos seguintes. O contrato de juro futuro para abril de 2011 subiu de 10,91% ao ano para 10,95%. Para julho do ano que vem, a taxa avançou de 11,30% para 11,38% ao ano. O DI (forma pela qual o contrato de juro é chamado no mercado) para janeiro 2012 cedeu de 11,83% para 11,82% ao ano. No contrato para janeiro de 2014, a queda foi ainda mais expressiva: de 12,32% para 12,16% ao ano.
  O BC, que abriga Conselho de Política Monetária (COPOM), colegiado que decide as taxas de juros, tem o poder de aumentar ou diminuir o conforto da classe média e mexe até com o combustível que as pessoas gastam nos fins de semana.
  O BC de Tombini tem todas as condições de ser independente do ponto de vista operacional, segundo o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn. Ele discorda da avaliação de muitos no mercado, segundo a qual Tombini seria mais suscetível a pressões do Executivo na definição do juro básico. Outras opiniões do meio financeiro elogiam o lado acadêmico e técnico do presidente do BC. A maioria, com cautela, parece ter gostado. Mas o que é bom para os bancos, decididamente não é bom para o consumidor.

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