Juros do cartão
Os juros do cartão de crédito atingiram o maior nível em 19 anos. Segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), divulgados essa semana, as taxas atingiram 368,27% ao ano. A explicação que, aliás, não convence recai para uma espécie de círculo vicioso: a inadimplência aumenta e os bancos aumentam os juros. No entanto, esse argumento é simplista demais.
Desde 2013, quando foi iniciado o ciclo de alta da taxa básica de juros, a meta da Selic subiu sete pontos percentuais. Para se ter um parâmetro, a taxa anual média do rotativo cresceu 119,8 pontos percentuais (17 vezes mais do que a taxa básica). É totalmente desproporcional e fora da atual realidade. No entanto, cabe afirmar que é preciso um controle maior sobre o sistema financeiro. As taxas não podem ser reajustadas conforme o entendimento único do operador e o pior: sem qualquer controle dos agentes públicos que deveriam regular o sistema.
Em 2012 chegaram a ser promovidas fortes reduções das taxas de juros, entre elas a do rotativo do cartão de crédito. Naquele ano, além do acirramento da concorrência com os bancos públicos, houve pressão do governo Dilma. Dados do Banco Central apontam que a taxa média da modalidade, em janeiro de 2012, estava em 12,8% ao mês ou 275,6% ao ano. O mais interessante é que na época chegou-se a afirmar que as taxas cobradas nos cartões de crédito emitidos pelo banco não teriam mais dois dígitos.
É claro que atualmente o cenário é outro. A queda da taxa de juros forçada pela equipe econômica mostrou-se desastrosa e, entre seus resultados mais perversos, está a inflação na casa dos 9% ao mês. Este foi um dos principais fatores que levaram o Banco Central a reiniciar a alta da Selic. No entanto, é preciso encontrar formas de normatizar e regular essas taxas. Os consumidores não podem continuar a ser penalizados e as instituições bancárias a registrar lucros estratoféricos.





