Juros bancários: feitiço contra feiticeiro
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Paulo Afonso Rodrigues 
Na implantação do Plano Real, o Brasil teve alterações substanciais na oferta de crédito quando o governo procurava reduzir os volumes disponibilizados com o aumento do compulsório sobre os depósitos à vista em até 75% e os depósitos a prazo que atingiram o percentual de 20%. O mercado sucumbiu, pois com a lei da oferta e da procura com taxas de juros altas e a oferta de crédito muito pequena, a iliquidez bateu índices alarmantes, com resultados que todos nós conhecemos ocorridos entre 95 e 98.
O Banco Central, observando a iliquidez e a ''quebradeira'' no setor bancário, começou, a partir de setembro de 99, reduzir o compulsório para aumentar a oferta de crédito, objetivando a redução dos juros. Daí os anos de 2000 e 2001 terem sido classificados como anos dourados para setor bancário com os polpudos lucros alcançados.
Com as altas rentabilidades atingidas, a necessidade do mercado por créditos e o conhecimento do setor bancário sobre as altas e baixas do mercado cambial, os banqueiros passaram a especular com o dólar e a lei da oferta e da procura, mais uma vez, foi preponderante para a alta da cotação da moeda americana.
O governo, observando isto, aumentou na média em 9% os compulsórios dos depósitos à vista, a prazo e na poupança para reduzir os recursos que estavam sobrando no Banco. O banqueiro começou a ''chorar'' no mercado dizendo que estavam faltando recursos, obrigando-se a desovar os dólares abruptamente. O reflexo foi a queda do câmbio do dia para a noite.
Por que então feitiço contra o feiticeiro? Porque com a oferta reduzida do crédito aumentam-se as taxas de juros e esta elevação compromete a liquidez. O mercado vem dizendo que em relação ao PIB, o Brasil tem pouca oferta de crédito e 79% ao ano é a média cobrada pelo setor bancário. Ledo engano: cheques especiais entre 8% e 10% ao ano, são equivalentes a 150% e 213% ao ano.
Estamos pagando uma das maiores taxas de juros do planeta, e o nosso PIB está crescendo timidamente. No entanto, o nosso superávit primário já esta acima de 11 bilhões de dólares. O FMI, com certeza, monitorou esta meta, mesmo que de longe, e o governo não teve saída a não ser reduzir a oferta de crédito.
PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro da Afiplan (Assessoria Financeira e Planejamento) em Londrina


