Juros altos, porém estáveis
Um alívio para quem previa, com preocupação, a ascensão das taxas a partir de março. O mês seria o balizador de um primeiro semestre de juros altos. Mas, ontem, saiu um prognóstico que pode espantar o fantasma. Para alívio dos consumidores, em primeiro lugar, as taxas cobradas pelos bancos no empréstimo pessoal e cheque especial mantiveram-se altas, porém estáveis, neste início de março na comparação com o início de fevereiro. É o que se conclui da pesquisa mensal do Procon. A Federação dos bancos confirma.
No caso do cheque especial, os juros continuam estáveis, porém em taxas altas. O ponto positivo é que não há oscilações ''para cima''. No empréstimo pessoal, a taxa média manteve-se em 5,17% ao mês para os contratos de 12 meses, mesmo porcentual de fevereiro. O estrago no consumo não foi aquilo que se esperava, portanto. (Ver matéria sobre inadimplência no Caderno de Economia)
A alta dos juros seria o antído contra a inflação. Era esperada porque os analistas estavam levando em conta o cenário de dezembro e janeiro, com aumento da demanda de bens de consumo e bens duráveis. O que chegou a ser chamado de ''consumismo'' seria fator acelerador de alta dos preços. Como sempre, o governo ameaçava recorrer ao redutor de consumo. A fórmula? A velha, porém eficaz, de sempre: aumenta-se a taxa de juros no crédiário e cartão. O outro freio a ser acionado seria a redução dos prazos. ''cabresto curto para cavalo com muito apetite'', resumiam os ''Delfim-boys'' nos anos 80, tempo de inflação galopante.
Juros controlados (em altíssimos patamares, é bom que se diga) não significam, necessariamente, controle absoluto da inflação. As médias dos preços de itens básicos no consumo doméstico continuam baixas, mas há grupos que apresentam variações de 8% a 9,5%. Não chegam a comprometer o índice que aparece estável nos aferidores do governo.
Talvez por este motivo alguns economistas do Paraná apareceram ontem na mídia dizendo que ''não há risco de inflação''. É uma imprudência tal afirmação porque ela exerce influência sobre o comportamento do consumidor e dispensa a necessária prudência na hora de assumir dívidas mais elásticas, que comprometem parte do salário.





