O juro básico brasileiro, rebaixado na quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), está em 18% ao ano. A rigor, essa taxa não corrige nada. Nem financiamentos a empresários com coragem para apostar na produção e muito menos contas de cheque especial de correntistas endividados até o pescoço.
No lado de cá da economia real, as taxas têm outras dimensões. O juro médio cobrado no cheque especial em junho ficou em 8,76% ao mês. Ao ano, passa de 170%. O levantamento é do Procon paulista. Dependendo de onde se busca o crédito salvador, a dívida pode ficar muito mais salgada. Teve banco cobrando 9,5% ao mês em junho.
Também é preciso cuidado com as financeiras e crediário das lojas: pelos juros que cobram, logo se vê que nenhum dos gerentes tem participado das reuniões do Copom. Em maio e junho, a taxa média do empréstimo pessoal subiu, nas financeiras, de 11,25% para 11,98%. Ao ano, a mordida é profunda: juro de 259% em maio e de 288% em junho.
Como a taxa fixada pelo Comitê formado pelo presidente e diretores do Banco Central é que vale para o ranking dos países caros, ficamos em segundo lugar na classificação. Mesmo longe do juro real da economia, os 18% devem ser suficientes para reconduzir o Brasil, em julho, ao posto de campeão na lista de 40 países pesquisados mensalmente.
É um lugar incômodo para se estar. Há exatos dois anos o Brasil não alcançava a ''liderança'', apesar de estar sempre rondando o pódio da usura. No mês passado, com taxa anual de 18,5% (e real de 215%), o País encostou na primeira colocada, a Polônia, com larga folga sobra o terceiro lugar, ocupado pela Turquia. Se mantiver o ritmo, vai desbancar rapidinho os poloneses.
Ruth Meira

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