Estava para ser julgado ontem no TRE um pedido de impugnação do mandato do senador Requião que corre, como manda a lei, em segredo de Justiça, mas que acaba ‘vazando’, como já havia ocorrido com o episódio Ferreirinha. Na carreira do ex-governador, abstraída a eleição para deputado estadual, na qual se valeu de alianças com as zonais e que permitiram ‘dobradinhas’ com mais de dois terços dos candidatos a vereador, todas as demais foram contestadas, desde a de prefeito - em que venceu Lerner por cerca de 18 mil votos, com o PDT ameaçando pleitear a anulação do pleito com a denúncia de que milhares de eleitores do interior teriam ido além da boca-de-urna, por terem votado - até a de senador. Na segunda, o caso até hoje não julgado do Ferreirinha e na mais recente uma série de acusações sobre abuso de poder, com o emprego da máquina pública até no pagamento de anúncios do PMDB na briga com Quércia com verbas oficiais.
Mas se Requião pode ser julgado severamente (no momento em que escrevo não sei que decisão foi adotada ou sequer se o caso mereceu julgamento), também Rafael Greca e Jaime Lerner, por atitudes tomadas tanto no primeiro turno da eleição de Curitiba quanto nos dois turnos em Londrina, correm idêntico risco. O TRE, por duas vezes, aplicou sanções em Lerner para que se abstivesse de manter a propaganda institucional no ar. Se já havia uma decisão anterior nesse sentido, não levada à instância superior, o governador, especialmente, estava mais do que consciente da infração. Corre, aliás, contra Greca e Cássio Taniguchi um pedido de declaração de inelegibilidade na 1ª Zona Eleitoral.
Aplicada a sanção a Requião, não haveria como evitá-las nos casos do prefeito de Curitiba, o atual e o futuro, e do governador. O advogado Genésio Natividade, que está se especializando em causas difíceis, é quem pleiteia a medida radical. E mais uma: se provar que o avião que conduziu Lerner a Londrina no dia do pleito foi arrendado com dinheiro público, pedirá também a declaração de inelegibilidade do governador por crime eleitoral.
Isto é democracia. Na medida em que esse tipo de luta for mantido, ganha a cidadania. Esta é incompatível essencialmente com qualquer sentido de acomodação e passividade.
BIZARRICE - Com quem é parecido o prefeito de Londrina: uns o chamam de Mazzaropi, outros de Mr. Bean. O seu opositor tem leve semelhança com Grouxo Marx.
SPRAY - No momento ocorre em Guaraqueçaba um quadro parecido com o havido em Guarapuava, quando da instalação da papeleira Lutcher: neste se falava em contrabando de minérios e naquele, que o grupo norte-americano acoplado ao Boticário estaria facilitando a transferência de matrizes vegetais. No primeiro, a coisa foi dada como paranóia apropriada à guerra-fria. - Copel vende energia para a Eletrosul, que aliás demora pagar, isso quando paga, a R$ 21,98 por megawatt/hora. Para concessionárias municipais, o preço vai a R$ 31,48. Para a classe industrial custa R$ 59,15, para a comercial, R$ 99,99, e para a residencial, R$ 101,40. O mais grave, e isso procuramos mostrar em debate no ‘‘QI na TV’’, da Record, é a jogada cartorial do ex-ministro José Serra como constituinte, ao adotar a imunidade fiscal para energia ao Estado consumidor, quer dizer, jogada paulista, o que prova a nossa pouca vocação para essa picaretagem chamada economia de mercado, que inexiste em sociedade de castas. - Por falar em Copel, até agora não houve explicação clara sobre os consórcios prévios que irão explorar as usinas do Tibagi e do Rio Cubatão. A Folha publicou tudo antes da reunião do Conselho Administrativo e nada se esclareceu. Na pauta estava lá a nominação dos grupos de empreiteiras e fornecedores, prestadores de serviço e consultores privilegiados. - Funcionários da Sanepar recebem este mês um abono a título de 14º salário como participação nos resultados. Aumento de 8,5% só em março de 1997 e o abono de férias volta a 30% e não mais 50% como constava de acordo coletivo. - O juiz da 41ª Zona Eleitoral de Londrina foi avisado de que Lerner desceria em avião oficial e deixou claro que isso era ilegal, além de alertar que o governador não poderia fazer proselitismo sequer de forma indireta. - O fato é que tanto na situação como na oposição há um ponto de vista uniforme: o governador desequilibrou o pleito. Uns dizem isso para apontar o fato como patológico e outros para exaltar a sua determinação.
FOLCLORE - Com o debate em torno da mudança da capital do Paraná para o interior, foi aplicado um modelo assemelhado ao de Brasília para efeito de localização e a escolha recairia certamente em Manoel Ribas ou Pitanga. Anteriormente se falou nisso e houve a indicação subjetiva, porque não assentada em fundamento geopolítico, de Campo Mourão.
É um debate válido, menos deletério para o conjunto do Paraná do que o partilhamento excessivo do território com a onda desenfreada de municipalização para assegurar rebanhos eleitorais.
Em São Paulo houve debate semelhante e a indicação recaiu em Bauru. E ficou nisso. O melhor mesmo seria na base da roleta: o mapa ficaria girando e os deputados atirariam setas, com o ponto mais atingido sendo o escolhido. Aníbal Khury poderia decidir à moda de Guilherme Tell.
CROMO - Que tem a ver o vídeo do litoral, bolado por Lerner e cheio de marinas ao longo do canal, azulado e sem o cheiro infernal, entre Pontal do Sul e Matinhos, com a realidade das ressacas que desmancham a malha urbana de Caiobá e Matinhos?
AFORÍSTICO - Economia de mercado ou socialismo em Burundi ou na Etiópia é desafio para qualquer cabeça. Basta pensar e imaginar. Essa é uma perturbação que não entra nas reflexões neoliberais.

mockup