Juracir demorou dois anos para obter laudo
Curitiba O Centro Metropolitano de Apoio ao Trabalhador (Cemast), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Saúde, demorou dois anos, quatro meses e um dia para emitir o primeiro laudo-técnico que pode amparar a situação do desempregado Juracir Ferreira da Silva, que acredita ter ficado paralítico em decorrência do trabalho na limpeza do óleo que vazou da Repar, em 2000.
O Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-PR), que auxilia Silva, pediu a análise médica no dia 9 de agosto do ano do acidente. O laudo conclusivo foi emitido por um médico paulista em 10 de dezembro do ano passado, mas só na última quinta-feira, o Sindipetro teve acesso ao documento.
O laudo descarta a possibilidade de Silva ter se contaminado com o óleo e aponta uma ''virose'' como a causa da sua paralisia. ''O problema é que o médico que assina o laudo não visitou o paciente'', contesta o secretário de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro-PR, Jaime de Oliveira Ferreira. Ele reclama da demora de uma conclusão sobre o assunto e compara o caso a outros famosos em que a perícia foi alterada, como o ''pseudo-suicídio'' de PC Farias e o recente caso da modelo mineira cujo cadáver foi encontrado num hotel e sobre sua morte resultam suspeitas de envolvimento de personalidades.
Como houve demora também para o sindicato ter acesso ao documento, Ferreira explica que o Sindipetro ainda vai analisar o documento. ''Se ele pegou uma virose no trabalho, isso respalda pelo menos um auxílio da Previdência. Para entrar com uma ação indenizatória contra a Petrobras ainda vamos consultar o departamento jurídico e ver se é possível solicitar um laudo com outro médico, que pelo menos veja o doente, que está em situação precária'', considera.
O tecnólogo em saneamento do Cemast, especialista em sa© úde do trabalhador, José Luiz Nishihara Pinto, diz que o caso já está concluído. ''Nós nunca reabrimos um caso para retomar uma decisão técnica já emitida, a não ser que aconteça algum fato novo ou venha à tona uma informação antes desconhecida'', adianta. Quanto à demora na emissão do laudo o técnico explica que ''alguns casos são demorados mesmo e podem levar até três anos para serem concluídos, já que dependem de avaliação mais apurada''.
Meses depois do acidente, o Sindipetro representou um grupo de dez trabalhadores que apresentavam supostas sequelas do acidente como diárreia, vômito e dor de cabeça. A relação com o trabalho na limpeza do óleo foi descartada pela Petrobras. (K.M.)





